quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A história de João


Coronel Azevedo, rico fazendeiro do interior paulista, encontrava-se a ponto de enlouquecer devido ao definhamento progressivo de sua esposa, ocasionado por uma doença que os médicos não conseguiam diagnosticar e nem curar.
Estamos no ano de 1856 e podemos ver que uma das igrejas mais suntuosas de todo o interior paulista, nesta época, encontrava-se no município onde residia o coronel e que esta fora erguida única e exclusivamente com o dinheiro dele: é que o poderoso e orgulhoso coronel era um homem fervorosamente religioso. Acontece que nem o dinheiro, os melhores médicos ou os melhores religiosos conseguiam curar a esposa dele; aliás, fora esta, a bondosa sinhá Helena, que certa vez sugerira ao esposo que procurasse a ajuda de um negro da sua própria senzala e que tinha fama de curador.
Nesta ocasião, inclusive, o coronel olhou para a sinhá com um olhar incrédulo e orgulhoso quando lhe disse: “Para o seu próprio bem, nunca mais quero escutar da sua boca a mínima menção sobre esta possibilidade!!!”.
Caminhando com passos furiosos o coronel saiu marchando dos aposentos do casal batendo a porta estrondosamente. A sugestão da esposa constituía um desaforo para ele: imagine só se o “Todo-Poderoso” coronel, um religioso fervoroso que aprendera que os negros não possuíam alma, se rebaixaria a tal ponto de pedir auxilio a um negro ignorante em favor da saúde de sua esposa.
É, meus filhos, mas não há nada como o desespero para nos fazer engolir nosso orgulho e empáfia em favor daqueles que amamos!!! Digo isto por que um trimestre após esta conversa do sinhozinho Azevedo com a sinhá Helena ela definhava a olhos vistos: o corpo dela estava quase à pele e osso, a pele mais alva do que parafina e a cabeça sem a maior parte de todos os fios negros, longos e sedosos que tanto lhe caracterizavam a bela e vasta cabeleira.
Somente quando a situação já estava assim tão triste foi que o coronel veio conversar comigo nestes termos:
— Sente-se negro maldito!
Sem pensar duas vezes eu me sentei em um toco em frente dele sem lhe olhar no rosto, pois ele não admitia que os negros olhassem diretamente em seus olhos e, então, ele continuou:
— Você sabe que é um imprestável, não é:
— Sei sim, sinhozinho.
— Você sabe que me é inferior, não sabe?
— Sei sim, sinhozinho.
— E por que você me é inferior, seu negrinho?
— Isto eu não sei não, sinhozinho!
— Pois então eu lhe digo: você me é inferior porque é meu escravo e eu sou seu superior porque sou dono da sua vida.
Nêgo pode dizer uma coisa sinhozinho?
— Fale imprestável!
— Olha, é que esse nêgo realmente é escravo do sinhozinho, mas só que suncê não pode ser dono da vida de nêgo.
— Como é, seu insolente?
Assim respondeu o coronel avançando em direção a mim com a bengala em riste pronto para me acertar.
— O sinhozinho é dono do meu corpo, mas só Deus pode ser dono da minha vida!
O coronel parou estupefato e boquiaberto quando lhe falei sobre Deus e abaixou sua bengala, já eu, vendo que não poderia perder aquela oportunidade, resolvi continuar a prosa:
— Foi Deus quem me deu um espírito e a verdadeira vida é a espiritual, então como o sinhozinho não pode ser dono do meu espírito, então também não pode ser dono da minha vida.
— Cuidado com o que diz negro porque posso lhe arrancar a língua!
— Este nêgo sabe disso sinhozinho.
— E como se atreve a falar comigo nestes termos?
Nêgo pensa que o que ele disse para o sinhozinho não é atrevimento, mas necessidade.
— Necessidade?
— É sinhozinho, pois para nêgo seria um pecado deixar suncê dizer que é o dono da vida dele.
— E por que seria um pecado?
— Pelo amor e adoração que tenho a Deus.
— Um negro que crê em Deus e que pensa possuir uma alma isto até que é interessante!
— Sinhozinho este nêgo pode...
— ...Cale-se negro atrevido por que eu não vim aqui para tagarelar com você, mas sim porque fiquei sabendo de sua fama de curador.
— Sim senhor!
— Diga-me, é verdade que você é curador?
— Sinhozinho nêgo só tem o dom, quem cura mesmo é Deus!
— Como ousa dizer que quem cura por ti é Deus se já fui a várias igrejas e estive com excelentes religiosos sem que nenhum deles conseguisse curar a minha Helena; você se acha mais poderoso que os padres ou julga que Deus só escuta você?
— De forma nenhuma sinhozinho!!!
— Acho bom mesmo!!!
— Sinhozinho este nêgo já esteve duas vezes na casa grande e viu que nela tem um cômodo cheio de quadros, não é verdade?
— O que a casa grande tem a ver com a pergunta que lhe fiz?
— Por caridade sinhozinho, nêgo vai responder pra suncê, mas ajude a ele por caridade. Não é verdade, sinhozinho?
— É sim negrinho metido, na minha sala de estar há várias obras de arte de grandes gênios da pintura.
— Cada quadro foi pintado de um jeito, não é sinhozinho?
— Sim, pois cada pintor tem o seu estilo, mas isto seria informação demais para sua pobre mente entender.
Nêgo concorda com suncê sinhozinho, mas nêgo pergunta: se um pintor tentasse pintar com o estilo do outro, ele conseguiria?
— Óbvio que não!!!
— E existe gênio maior que Deus?
— Não blasfeme perante o nome do Senhor!!!
— Não é blasfêmia sinhozinho!
— É bom mesmo que não seja e quanto a sua pergunta é óbvio que a resposta também é não: não existe gênio maior que Deus!!!
— Então sinhozinho e Deus, em sua infinita genialidade e sabedoria, deu vários dons a várias pessoas diferentes para que o excelso amor e genialidade Dele pudessem ser manifestados de formas diferentes, assim é que cada pintor pode pintar uma mesma paisagem de forma diferente e cada curador pode curar uma mesma pessoa de forma diferente.
O coronel sentindo-se vencido em todas as forças do seu ser pelo sentimento de paz que este nêgo simples que vos fala amorosamente irradiava para ele sentou-se, pasmem, num toco que estava posicionado a minha frente.
Este nêgo sentia que as próximas palavras que iria dizer lhe custariam à própria vida, mas inexplicavelmente toda vez que eu pensava em vacilar via a imagem de Jesus sendo açoitado até o local em que fora crucificado e justamente esta imagem de uma forma, na época, inexplicável para mim forneceu forças para que eu dissesse ao sinhozinho o que relato a seguir:
— Sinhozinho, este nêgo pode dizer uma coisa?
— Não me aborreça e fale de uma vez!
— É que já tem três meses que eu vejo cinco vultos negros acompanhando a sinhá Helena.
— Como é? Vultos?
— É sinhozinho, são vultos que o meu povo chama de eguns.
— Explique-se!!!
— Eguns, sinhozinho, são espíritos de gente que já morreu!
— Você quer ir para o tronco negrinho?
— Não sinhozinho!
— Você não sabe que quem morre vai para o céu ou para o inferno?
— Sinhozinho isto inté já ouvi falar, mas é que este nêgo gosta tanto da sinhá Helena que para ele seria mais do que um dever: seria uma honra cura-la!
— E de onde vem esta sua admiração negrinho?
— Essa admiração não é só de nêgo não sinhozinho e nem é só de todos os negros da sua senzala, mas até mesmo de inúmeros negros das senzalas de outros fazendeiros!
— Mesmo? E por quê?
— Por que a sinhá pode inté achar que nós negros não temos alma e que não somos gente, mas trata-nos como se fossemos. É por isso que esse nêgo, com as forças de Deus, faz questão de ajudar a afastar os eguns da sinhá e trazer a saúde dela de volta.
— Muito bem negrinho, você terá três meses para curar Helena por que se isso não ocorrer você morrerá antes dela, posso lhe garantir!!!
— Sinhozinho ta dando três meses pra nêgo porque foi esse o tempo de vida que os doutor de terra deram pra sinhá, não é mesmo?
O coronel ficou boquiaberto com o comentário que eu fizera a ele e, aproveitando o ensejo, eu continuei a conversa:
— Acontece que o sinhozinho não vai precisar esperar tanto porque em menos de sete semanas a sinhá, com as forças de Zambi, há de voltar a passear por esses campos como uma borboleta quando sai do casulo.
O sinhozinho Azevedo sentiu o coração bater descompassado de tanta e emoção e esperança com as palavras que este nêgo disse a ele, mas ainda assim ele olhou pra mim e falou:
— Não brinque comigo negrinho e nem com sua sinhá, cure-a ou pagará com a própria vida!!!
Sete semanas se passaram e, na força de Zambi Nosso Pai, a sinhá Helena recuperou sua saúde. Os dias foram passando um após outro e esse nêgo começou a pensar que a aflição que sentira em perder a própria vida quando tivera àquela conversa com o sinhozinho dizendo que a sinhá estava enfeitiçada deveria de ser fogo de palha.
Mas três meses depois de nêgo ter tido àquela conversa com o coronel ele veio até nêgo e disse:
— Negrinho, você disse que minha mulher estava enfeitiçada, certo?
— Sim, sinhozinho!
— E quem me garante que, querendo alforria, você não a enfeitiçou para depois desenfeitiça-la e, assim, ganhar minha confiança e liberdade?
— Mas nêgo venera sinhá Helena sinhozinho, nêgo jamais faria isto!!!
— Então negrinho, quer dizer que não foi você, certo?
— Sim sinhozinho, não foi nêgo.
— Então, negro maldito, diga-me quem foi se não quiser perder a própria vida!
— Mas nêgo não sabe sinhozinho, nêgo jura por Deus.
— Mas você é muito insolente hein negrinho? Quem você pensa que é? Quero o nome agora ou você morre!
— Mas nêgo não sabe quem foi, nêgo só sabe que foi alguém por que feitiçaria nenhuma se faz sozinha.
— Pois bem negrinho se estou entendendo bem, alguém enfeitiçou minha Helena e você não sabe quem foi, certo?
— Sim sinhozinho!
— Mas, se você quisesse, poderia mandar o feitiço de volta para quem quis matar a sua sinhá?
— Poderia sim senhor!
— Então faça!!!
— Mas nêgo não pode fazer isto!
— Por que não?
— Por que nêgo só faz o bem, não faz o mal.
— E acabar com a raça de quem quase matou a sinhá que você diz tanto adorar, não é fazer o bem?
— Não sinhozinho, é vingança!!! Nêgo aprendeu com Jesus: “Amai os vossos inimigos”
É, meus filhos, nessa hora nêgo recebeu um golpe de bengala do sinhozinho tão forte na cabeça que ficou muito tempo desacordado.
Algumas horas depois, ao acordar, nêgo descobriu que estava amarrado no tronco e que a bengalada tinha me deixado cego das vistas.
Quando chegou a noitinha do mesmo dia nêgo começou a apanhar do feitor. Era uma chibatada após outra. No inicio elas doíam muito, mas depois eu percebi que não estava sentindo mais dor e, enquanto tudo isto acontecia, eu inexplicavelmente comecei a ver o mestre Jesus apanhando em sua trajetória até a crucificação e, mesmo não tendo a pele negra naquela época, eu sabia que era um daqueles soldados que o açoitava, sim, este mesmo nêgo véio que agora apanhava no tronco, mas ao invés de sentir dor e remorso eu sentia era a minha alma livre, minha consciência tranqüila e uma inimaginável paz de espírito.
E foi assim que esse nêgo desencarnou em sua ultima encarnação na terra, na primavera do ano de 1856: nêgo viera para purificar sua consciência dos castigos que infligira ao divino mestre na trajetória do calvário Dele.
Para nêgo terminar esta prosa com todos suncês que estão lendo estas linhas, nêgo fala que hoje em dia ele não é mais escravo, mas que continua cativo. Só que, atualmente, não mais por algemas e grilhões, mas pelo amor que ele sente por todos suncês encarnados na terra.
Suncês que desculpem nêgo , mas desta “prisão” ele não quer sair nunca: é que nêgo ama estar “preso” a uma linha de trabalho da umbanda que também ajuda os seus filhos de fé a não serem mais escravos de seus vícios, más tendências e imperfeições, pois na verdade meus filhos é nisto que se constitui a real liberdade!!!!

Que Zambi Nosso Pai abençoe a todos suncês!!!!!

Mensagem de Nêgo João recebida em 14/05/2008

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

No astral inferior

Mensagem de um guardião

— Firma o seu pensamento cabra porque esta noite o “pau vai quebrar”!
Tal foi a determinação que escutei mentalmente instantes antes de dormir. Nem pensei duas vezes e obedeci, mas devo confessar que me assustei mesmo assim quando despertei e me vi no meio de uma região de mata onde estava acesa uma enorme fogueira; junto de mim havia vinte e cinco médiuns que percebi serem encarnados pela presença de um cordão de prata junto a cada um deles.
No comando de todos nós havia um espírito que eu intuitivamente tinha a convicção de ser um Exu. Foi ele, inclusive, quem determinou que déssemos as mãos em torno da fogueira e formássemos uma roda para, posteriormente, nos falar nestes termos:
— Camaradas, nós todos estamos presentes em uma região de mata do plano físico e em volta de uma fogueira também acesa no mesmo plano. É vital que todos vos, de olhos abertos, firmem suas visões nestas chamas e peçam a Deus a vossa entronização com a energia ígnea.
Enquanto o exu passava as determinações eu estava desesperadamente tentando entender quem, àquela hora da noite, ateara aquelas chamas no plano físico, mas ele enquanto falava dentro da roda veio caminhando em minha direção e resolveu parar diante de mim para dizer:
— Não importa quem acendeu a fogueira, o importante é que ela está acesa assim como também não importa como vocês vieram parar aqui, pois o importante é que vocês aqui estão.
O Exu dissera estas últimas palavras enquanto olhava para todos, mas fiquei desconcertado por sentir que ele falava para mim. Ele, então, continuou:
— Muitos precisam ver para crer, outros vêem e julgam inacreditável. Muitos se julgam aptos sem a devida preparação enquanto outros se julgam despreparados apesar de estarem aptos. E todos estes exemplos que estou lhes passando representam de uma forma ou de outra, o caso de cada um de vocês aqui presentes.
Devo confessar que não estava entendendo precisamente o que o Exu estava querendo dizer, mas ele continuou:
— O Divino Criador, cuja soberana vontade se faz presente em todas as coisas também faz com que nenhuma folha caia da árvore se não for da justa e sábia vontade Dele e é por isso que vos falo que todos que aqui estão aqui se encontram por estarem preparados e não por serem perfeitos, vocês entendem?
Todos nós balançamos a cabeça afirmativamente e o guardião continuou:
— Assim vos falo porque não quero nenhum cabra deslumbrado com a tarefa de hoje, assim como também não quero ninguém “borrando nas calças” e é por isso que, onde posso e vocês mereçam, estarei vos esclarecendo agora: saindo daqui nós iremos para uma edificação no baixo-astral que precisa ser destruída e, para tanto, contamos com o auxilio das vibrações superiores de vocês. Estou sendo claro?
Todos nós balançamos novamente a cabeça de forma afirmativa e o Exu prosseguiu:
— Sentem-se no mesmo lugar que agora estão numa posição confortável e concentrem-se, desta vez de olhos fechados, na divina energia ígnea, pois enquanto isto vos estarei preparando para que vossos corpos mentais me acompanhem na tarefa da noite.
Procurei executar o que nos fora recomendado e, depois que o guardião trabalhou em minha fronte, algo incrível ocorreu por que eu passei a me sentir infinitamente mais leve como se eu tivesse dormido em espírito e acordado de novo, é estranho de dizer, mas parecia que eu era pura e simplesmente o meu pensar, o meu pensamento; outra coisa interessante de comentar é que eu me encontrava sem nenhuma gota de suor pelo corpo e, entretanto, eu me sentia como se fosse uma centelha do fogo da misericórdia divina e relato isso a vocês porque parecia que o meu corpo ardia em chamas invisíveis sem que eu sentisse o mínimo de calor; entretanto, era só eu pensar em amor, caridade e fraternidade que meu corpo se incandescia ainda mais, enfim, naquele estado em que eu estava parecia que amar o próximo e fazer o bem era a coisa mais prática e fácil do mundo.
De repente fomos todos direcionados para uma localidade onde o ar era pesado, úmido e mal-cheiroso como esgoto. Chegamos a um bairro onde as casas possuíam um aspecto asqueroso e os moradores destas uma energia pessoal vil e repugnante. Havia muitas sombras neste local e caminhávamos entre elas; então, alguns minutos depois nós paramos de frente a um edifício de dez andares em que só pelo fato de encará-lo eu misteriosamente sentia todo aquele ardor dentro de mim diminuir intensamente, já estava começando a me desequilibrar quando senti o guardião a se comunicar mentalmente comigo:
— Controle o seu emocional cabra!!! Mantenha o equilíbrio ou você se perderá!!!
Perder-me? Não quis nem saber o que significava o que o exu acabara de me dizer e procurei mentalizar fervorosamente na fogueira que estava diante de meu corpo astral lá no plano físico e na divina energia ígnea equilibradora inundando o meu ser. Percebi o calor tornar a me aquecer com toda a intensidade e foi quando o Exu tornou a se comunicar, só que desta vez com todos nós:
— Ok cabras, percebi que todos vocês conseguiram eliminar a curiosidade de dentro de si e retomarem o equilíbrio em vossas consciências. Isto será muito importante na realização da tarefa que eu e meus companheiros temos a desempenhar.
Interessante é que foi somente nesta hora, enquanto o Exu falava, que eu notei a presença de trinta e dois Exus aguardando o guardião que estava nos servindo de ‘guia’ até aquela macabra localidade.
Recebi a permissão destes Exus e narrarei para vocês como se deu esta ação deles a favor da caridade:
O prédio que seria destruído era como eu disse antes: tinha uma energia tão desgraçada que eu só poderia definir como absorvedora, inclusive fora esta propriedade do prédio que absorvera boa parte de meu calor quando eu havia me desequilibrado momentaneamente minutos atrás.
— Calor não zifio: ectoplasma, energia vital.
Tal foi a resposta mental que um espírito militante da linha dos preto-velhos e que me acompanha no ritual de umbanda oferecera para mim
— Verdade? Perguntei a ele.
— Certamente. Esta energia aqui para eles vale infinitamente mais que ouro. Agora, por caridade, continue a narração dos trabalhos que nossos irmãos exus estão realizando!
— Sim senhor, perdão!
Quanto ao prédio é só isso que pude perceber energeticamente, já a explosão, por sua vez, deu-se da seguinte forma:
O Exu que nos guiara até ali determinou que todos nós déssemos as mãos e ficássemos fazendo orações e, antes que ele e seus companheiros fossem realizar o trabalho, aproximou-se de mim e de outra médium que se encontrava ao meu lado esquerdo para encostar em nossa testa algum tipo de cristal de rocha que não pude precisar o que era por estar de olhos fechados; após este procedimento ele disse a nós dois:
— Vocês permanecerão aqui onde estão, mas também me acompanharão para conhecerem um pouco deste nosso trabalho aqui embaixo.
Devo confessar que o que eu via era tão fantástico que beira o surreal: os exus entraram no prédio em questão e eu conseguia ver tudo aquilo que o exu que encostou o cristal de rocha em minha fronte conseguia ver, era como se acima da cabeça dele houvesse uma micro câmera que me permitia visualizar tudo o que ele enxergava sem que eu precisasse sair do lugar onde estava, qual seja, na frente do referido edifício de mãos dadas com meus irmãos de jornada.
Foi assim que pude ver quando ele subiu no décimo andar daquela edificação e começou a instalar no canto esquerdo posterior alguma espécie de bomba programada que tinha a coloração rubro-alaranjada. Enquanto ele e mais dois exus realizavam esta tarefa, os demais realizavam a parte operacional dela. Devo informar também que naquele andar havia por volta de vinte salas e dentro de cada uma delas entes trevosos fomentadores de pedofilia e vampirizadores de pedófilos. Na sala de número 180, por exemplo, havia um homem branco, calvo, com aproximadamente quarenta anos de idade que tinha à sua cabeça acoplado um capacete que incitava infernais desejos carnais neste pela sua enteada de onze anos de idade e eu sei disso por que as imagens que eram sugeridas a este homem passavam sucessivamente numa espécie de TV. Este homem encontrava-se sentado junto com mais outros treze que também deveriam estar passando pelo mesmo processo de hipnotização.
No andar imediatamente inferior a este que estávamos, após o Exu ter plantado outra bomba no local análogo ao andar superior, eu pude ver na sala 161 quatorze espíritos deitados em uma cama e que tinham aderidos aos seus corpos uma espécie de fio transparente que retirava uma substância que, por sua vez, desembocava em um tipo de recipiente de cristal translúcido de 0,5 litros.
Os exus foram descendo até o térreo da construção e, à medida que isto ocorria, eles implantavam as bombas e eu via um festival de atrocidades inenarráveis e tão bestiais que, tanto eu quanto minha companheira, tínhamos que nos esforçar bastante para não nos desequilibrarmos através das lágrimas de uma sincera compaixão que teimava em descer por nossos rostos.
Terminada esta tarefa o Exu me explicou que todas aquelas pessoas que eu via acopladas a algum tipo de aparelho eram encarnados momentaneamente libertos do corpo físico pelo momento do sono. Esclareceu-me, ainda, que aguardariam até que o último dos encarnados deixasse aquela construção para que as bombas fossem detonadas.
Quando aquelas bombas começaram a explodir eu percebi que elas só poderiam ser mágicas e explico por que: quando uma bomba explodia, eu via junto com as chamas, milhões de pequenas “fadas” de fogo que se alimentavam de tudo em que tocavam, quanto mais maldades elas devoravam, mais alaranjadas elas ficavam.
O prédio caiu e quando isto ocorreu nós, os médiuns encarnados ali presentes, já estávamos de volta ao nosso corpo astral diante da fogueira acesa no plano físico. Milhões de perguntas já fomentavam em minha mente quando o Exu novamente se pronunciou:
— Gostei de ver, cabras!!! A ajuda de vocês foi valiosa e prestimosa!!! Vocês acabaram de nos ajudar, com as bênçãos e permissão do Divino Criador, a derrubar uma edificação numa cidade do baixo-astral. Sem a ajuda, principalmente, da energia e boa-vontade de vocês, médiuns encarnados, nós não teríamos meio de fabricarmos as bombas que para destruir estes tipos de construção precisam desta energia. Outras coisas não devemos falar porque não temos permissão, mas o que nós devemos fazer nós assim o faremos que é agradecer a boa vontade de todos vós para com a prática do bem.
Mesmo sabendo que talvez não devesse, levantei o meu dedo indicador e o guardião, ao avistá-lo, determinou:
— Solta a língua cabra!!!
— Você me desculpe senhor exu! Entendi que os senhores acabaram de realizar um tipo de trabalho contra a pedofilia, entretanto, será que não existem outros prédios funcionalmente similares a este hoje destruído onde aqueles espíritos encarnados que tinham fios acoplados em seus corpos continuarão a ser submetidos às mais terríveis atrocidades?
— Cabra, nós acabamos de vencer uma batalha, mas a guerra ainda é longa! Além do mais você pensa que nossa ação desta noite foi em beneficio daqueles que, como você mesmo disse, estavam presos a fios? Pois você está enganado, cabra!!! Saiba que se não existissem seres humanos como àqueles estes tipos de construção do baixo-astral talvez nem existissem, pois são eles mesmos que oferecem condições e materiais para a edificação destes antros de maldades; são eles os invigilantes e os imprudentes!!!
Tentei levantar novamente o indicador, mas o guardião nos disse:
— O tempo de vocês acabou cabra!!! Vocês devem retornar agora para o corpo físico, mas antes posso lhes oferecer mais um breve esclarecimento: Sim cabras, a ação desta noite foi em beneficio das criancinhas e posso vos afirmar que nunca mais um destes anjos de Deus tão admirados por Jesus será direta ou indiretamente afetado por aquele antro de perversidades que detonamos esta noite. A explosão desta construção voltada para o mal deveria acontecer seis meses à frente, mas as milhões de preces fervorosas de várias das mais diversas denominações religiosas ao Divino Criador pedindo que Ele elimine a maldade contra as crianças no mundo, aliada ao merecimento de cada um, catalisaram a misericórdia Dele fazendo com que Ele acabasse por determinar que destruíssemos o prédio de hoje a noite. Vocês entenderam?
E eu, tremendamente emocionado, juntamente com meus irmãos de jornada, respondi:
— Sim senhor!!!
— Então vão e reassumam o corpo físico de vocês agora mesmo, pois esta é a vontade do Divino Criador, só não esqueçam de pedir a todos os seus irmãos de fé que continuem a orar pedindo as bênçãos de Deus em favor não só de vocês, mas de todos os necessitados no mundo, pois todos vocês puderam comprovar esta noite que nenhuma prece dirigida a Ele com sinceridade, equilíbrio e amor deixa de ser respondida!!!
Este Exu vos agradece por terem deixado todas as vossas misérias e más tendências momentaneamente de lado em prol da caridade e roga a Deus que ajude tanto a vós quanto a nós a fazermos desta bendita abnegação uma constante em vossas vidas!!!

Mensagem recebida em 06/06/2008











quarta-feira, 30 de julho de 2008

Esclarecimentos

Mensagem do Sr. Caboclo Sete Estrelas


Em um belo e claro dia de sol senti que estava descendo, sei lá de onde, em direção a uma extensa, frondosa e incomensurável região de mata.
Sentia em meu mental, enquanto descia, como se estivesse a discutir com certo alguém no sentido de estar querendo afirmar minhas convicções como únicas e absolutas. Na realidade, eu estava irredutível em minhas opiniões.
Percebendo este meu estado mental, senti como se algo me estivesse aterrisando na região central daquela extensa floresta.
Notei então ao pisar no solo e olhar para o alto que a maior parte da vegetação daquela floresta era composta por árvores tão altas e frondosas que a luz solar parecia brigar com as folhagens para ter a oportunidade de brilhar no solo. Ao olhar ao redor a sensação que tinha é que toda a floresta estava sendo iluminada por uma luz verde, que na verdade era o reflexo da luz forte do sol refletido pelas folhagens ao redor.
Olhei para a enorme vegetação e apesar de saber de sua enorme extensibilidade e de não ter muita afinidade com a região de matas eu sentia algo bastante estranho e inconfundível como se tivesse a plena certeza de como sair dali.
Na verdade eu estava me sentindo como se estivesse sendo submetido a algum tipo de prova espiritual, onde se eu conseguisse encontrar a saída da mata conseguiria minha aprovação.
Posso dizer que não me fiz de rogado e comecei a caminhar na direção que tinha a plena certeza de que era a mais apropriada para conseguir meu objetivo. Andei, andei e andei e apesar de sentir que o tempo passava, eu percebia como se isto não estivesse ocorrendo porque a sombra das folhas no chão não mudava de posição apesar de estar fazendo pelo menos umas três horas que eu já estava caminhando.
Andei ainda mais umas duas horas e fiquei estupefato ao perceber que eu inexplicavelmente havia retornado ao meu local de partida. Já estava com muita sede ( e apesar de sentir o tempo passar o sol no céu não mudava de posição ), e com as pernas pesadas mas não dei o braço a torcer e, após um breve intervalo, pus-me a caminhar novamente a procura de uma saída e de, mais imediatamente, algum coqueiro carregado de frutos para tentar saciar a minha sede.
Só não conseguia entender o porquê de uma sensação estranha ficar rondando o meu emocional desde a primeira vez que eu me pus a caminhar para tentar achar a saída da mata, que era uma sensação como se eu sentisse que, apesar de achar que sabia o caminho que levava a saída, fosse um erro em eu assim fazer.
Eu já estava sentindo um cansaço muito grande e misturado a ele um enorme calor que se confundia com a estranha sensação emocional que descrevi anteriormente e que me deixava ainda mais cansado e provavelmente deve ter sido por tudo isso que eu, ao me deparar com vários pés de guiné, pus-me de joelhos em frente deles e comecei a fazer uma prece fervorosa a Deus pedindo, ainda sem entender muito bem o motivo, primeiramente o Seu perdão e depois que me mostrasse o caminho até um local onde pudesse matar a minha sede.
Curiosamente após esta prece eu olhei para uma determinada região da mata e senti como se alguém invisível aos olhos estivesse a me indicar que aquele era o caminho que eu deveria seguir para ter minha prece atendida. Sem mais demoras eu me levantei de um salto e passei a caminhar em passos acelerados na direção indicada; andei, andei e andei até ter uma visão que me fez sentir o homem mais rico do mundo: um extenso rio caudaloso, de correnteza forte, cheio de pedras e mediamente largo de uma margem a outra. Na verdade nem pensei duas vezes e corri com toda velocidade até começar a saciar a minha sede na maior voracidade.
Somente após acabar com minha sede ( me sentindo o mais feliz dos homens ) foi que eu percebi que se quisesse encontrar a saída daquela mata, deveria tentar atravessar o rio a minha frente e, na realidade, foi o que eu tentei fazer, mas ao lembrar a enorme quantidade de pedras dos mais variados tamanhos e a força da correnteza além de, principalmente, o fato de eu não saber nadar, cheguei a conclusão de que não conseguiria passar para a outra margem. Já estava mesmo começando a ficar desesperado quando me lembrei de fazer uma nova prece, com todo o meu coração, pedindo forças ao Criador para alcançar o meu intento.
Passado alguns instantes após o término da prece eu, já sentado e recostado a uma árvore, passei a ficar olhando toda a extensão daquele rio quando, de repente, senti como se aquele alguém invisível estivesse à beira do rio a indicar o caminho até a outra margem; e foi com certo medo e muita prudência que me pus a pisar passo a passo onde eu percebia que deveria colocar os meus pés para, não me perguntem como, de fato, alcançar a outra margem.
A adrenalina na travessia do rio foi tão intensa que a minha fome chegou a um nível praticamente insuportável; engraçado que se antes eu reclamava do sol pelo fato dele nunca sair de sua posição no meio do céu, apesar de eu sentir a passagem do tempo; agora eu agradecia a Deus por tudo estar acontecendo desta forma porque se assim não fosse, naquele exato momento, eu estaria perdido porque certamente seria tarde da noite e eu não enxergaria um palmo a frente do nariz e foi daí que eu notei, mais uma vez, o fato de que, com certeza, Deus sabe o que faz.
E vislumbrar toda essa infinita sapiência Divina e o “roncar” de meu estômago ( que insistentemente não me deixava esquecer a fome que estava sentindo ), além de observar o fato de que toda a vez que eu dirigia uma sentida e verdadeira prece a Deus, Ele de alguma forma ( e de acordo com meus merecimentos ) acabava por me atender, foi o que me deu uma enorme força para, mais uma vez, dobrar meus joelhos no chão e Lhe direcionar uma prece pedindo que me indicasse um caminho onde eu pudesse aplacar a minha fome.
Pode parecer incrível, mas novamente senti um alguém invisível a me direcionar os passos e eu, apesar de já estar com as pernas fadigadas, recomecei a caminhar até ter uma visão que, para um faminto como eu, parecia um verdadeiro manjar dos deuses: inúmeras bananeiras completamente carregadas com frutos maduros.
Ainda senti este mesmo alguém invisível a me pedir que antes de me alimentar agradecesse ao Divino criador pela graça recebida, mas a minha fome foi maior e eu comecei a andar em direção aos frutos de meu desejo até visualizar, a poucos centímetros da bananeira mais próxima, algo que fez o meu sangue gelar por completo: era a materialização de meu medo de cobras representada na figura de uma temível cascavel. Fiquei imóvel e boquiaberto olhando para sua língua colocada para fora e observando o som do seu chocalho já extremamente arrependido por não ter ouvido a determinação da espiritualidade me pedindo para agradecer a Deus por ter encontrado as bananeiras antes de procurar me alimentar.
Sabia que se fosse picado ali seria certamente o meu fim e percebi finalmente que para mim não haveria outra solução a não ser pedir perdão a Deus pela minha intolerância e assim eu fiz com toda a fé de minha alma para, ao descerrar os olhos, notar que a cobra ainda estava a minha frente a me fitar; mas foi nesse instante que, de repente, escutei um estranho e arrepiante assovio para assustadoramente observar ( como se ela também tivesse escutado ) a cascavel sair de minha frente e mover-se em direção ignorada como se nada tivesse acontecido.
Muito provavelmente sensibilizado por este fato e por tudo que já acontecera até ali eu, antes de agradecer a Deus pelo banquete que estava prestes a degustar, primeiramente agradeci (com a face completamente banhada por lágrimas de alívio), pelo livramento recebido.
Após alimentar-me eu, com um medo extremamente terrível de encontrar algumas outras cobras pelo caminho, coloquei-me novamente de joelhos e fiz ardorosa prece a Deus dizendo a Ele que eu não sabia o caminho que me fizesse sair da mata e que justamente por isso, de onde eu estava não teria condições nem físicas, nem racionais e nem emocionais de me mover em direção alguma se não fosse com o Seu divino auxílio.
Alguns instantes após a prece ouvi em minha mente uma voz a responder o meu apelo:
— Que sem o auxílio divino você não consegue achar o rumo de sua vida e a saída de seus problemas nós já sabíamos e tentamos lhe explicar quando fomos buscá-lo esta noite durante o seu sono físico, mas infelizmente você não nos escutou. Pelo fato de estar acostumado com nossas companhias nos rituais de umbanda você nos desrespeitou ao desprezar nossas determinações e nos tratar como espiritualmente e moralmente iguais a você. Agora você quer sair da mata e nós vamos auxiliá-lo como sempre estivemos a fazer a cada vez que você, com extrema humildade, fazia uma prece ao Divino criador; acontece que você terá que sair de onde está com suas próprias pernas.
— Sim senhor.
— Entenda que nada disso teria acontecido se você não tivesse sido intransigente, prepotente e até mesmo arrogante.
— Sim senhor.
— Comece a caminhar e você encontrará o caminho da saída e, no final deste, nós estaremos a te esperar.
— Sim senhor.
E assim eu comecei a caminhar com toda a fé do meu ser e, estranhamente, após instantes que me pareceram breves, eu consegui vislumbrar a saída da mata e acelerei os meus passos até deixar a última das árvores para trás.
Olhei então para minha frente e vi que estava diante de um campo revestido inteiramente por gramas como se fosse um estádio de futebol em perfeita qualidade de preservação; coloquei, então, a destra por cima de minhas vistas para eliminar a interferência dos raios do sol e pude perceber que logo adiante de mim, sentados debaixo da sombra de vários pés de carvalhos que estavam muito próximos entre si, havia vários espíritos que eu, de alguma forma, sabia que eram as entidades que trabalham comigo na religião de umbanda.
Estes espíritos estavam a sorrir como se estivessem a me esperar, mas à medida que eu deles me aproximava isto estranhamente fazia com que os seus semblantes ficassem cada vez mais sérios.
Quando eu me aproximei efetivamente deles o espírito que aparentava ter mais idade falou para mim:
— Conseguiu né fio?!?! Não foi fácil, mas fio conseguiu.
Pelo timbre de voz eu percebi que era o mesmo espírito que havia se comunicado comigo mentalmente quando estava na mata, mas havia dentro de mim uma dúvida tão grande sobre tudo aquilo que eu acabara de vivenciar que, apesar de todo o respeito que eu devoto a estes irmãos do plano maior eu sentia que tinha o dever de buscar algum esclarecimento antes que enlouquecesse, e foi o que fiz:
— É meu irmão, graças ao bom Deus eu consegui sair, só que na verdade eu estou com algumas dúvidas que eu gostaria de esclarecer, o senhor me permitiria?
— Pode falar fio.
— É que quando eu ainda estava na mata o senhor me disse que veio me buscar no momento do sono para me trazer a uma região de mata que, por sinal, é o ponto de forças da natureza com o qual eu tenho menos afinidade, e eu ainda não consegui entender o que o senhor gostaria de alcançar com tudo isso.
— Eu posso te explicar fio. Foi assim: eu junto com alguns companheiros espirituais afins fui buscá-lo em espírito esta noite e lhe explicamos que o que queríamos com a nossa visita é ensiná-lo como deve ser o procedimento mental, emocional e espiritual de todo médium enquanto uma entidade estiver se utilizando de seu corpo físico durante a incorporação; só que ao invés de tentar realizar o nosso intento em algum tipo de sala de aula, nós julgamos por melhor ensina-lo através de um ponto de forças da natureza que, no caso, é a região de mata, entendeu?
— Sim senhor, mas porque eu fui deixado sozinho em um ponto de forças da natureza com o qual eu não tenho afinidades?
— Engano seu companheiro, a região de mata pela qual você passou lhe é intimamente afim e particular; e lhe digo mais: você é a única pessoa no mundo que já viu e que poderá ver a região de mata pela qual atravessou.
— Verdade???
— Verdade e sabe por quê?
— Não senhor.
— Pois então eu lhe explico: é porque esta região de mata não existe no plano físico, ela é, antes, uma representação da essência vegetal que existe dentro de todo ser humano, e esta noite eu achei por melhor tentar faze-lo conhecer qual é o estado mental, físico e espiritual que todo médium deve ter enquanto está incorporado através da essência vegetal que lhe é particular. Acontece que no momento que você ouviu de nós que a lição da noite de hoje seria “Comportamento ideal de um médium durante a incorporação” e que para realizá-la nós plasmaríamos uma região de matas que representasse sua essência vegetal você, pela excessiva empolgação e por achar que já está bastante acostumado com o processo de incorporação, não quis escutar nossas orientações e passou a dizer que, se a região de matas seria plasmada a partir de sua essência vegetal, você então seria capaz de sair da região de matas de olhos fechados. Nós não lhe fechamos os olhos, mas devido ao seu terrível ato de intolerância e até mesmo de vaidade, nós lhe deixamos na região de mata por conta de suas próprias forças. Quando você, aos poucos, começou a recobrar a divina virtude da humildade ao longo de sua jornada, pôde, assim, sentir nossa presença e encontrar a saída da mata que, na realidade, como já dissemos, lhe é infinitamente particular.
— Meu Deus isto é inacreditável. Chegaria a dizer que é até mesmo impossível ou loucura se não tivesse vivenciado por mim mesmo.
— Nunca se esqueça de se lembrar fio e nem de falar a seus irmãos de religião que mesmo que vocês tenham décadas e mais décadas de contato com o mundo espiritual através da incorporação, na hora deste divino momento, o mais importante é vocês esquecerem toda impetuosidade desmedida, toda vaidade descabida e toda interferência indevida nos trabalhos e falas que as entidades incorporadas tenham a realizar. Toda vez que uma entidade incorpora é como se vocês e ela estivessem entrando em uma região de matas onde, se vocês quiserem extrair dela todos os sumos, sucos, ungüentos, benefícios e ensinamentos possíveis e saírem de seu território bem tanto fisicamente, quanto emocionalmente e mentalmente ao final de cada incorporação, devem seguir o humilde conselho que este caboclo como porta-voz de uma coletividade de espíritos com quem você tem afinidades, está a lhe comunicar: a incorporação é um momento divino que exige dos médiuns humildade, tolerância, sabedoria, disciplina e paciência. Sigam este singelo conselho e vocês terão todos os instrumentos para serem bons médiuns.
E como se já houvesse falado tudo que havia para ser dito o amigo espiritual bateu as mãos duas vezes e eu, na mesma hora, acordei espantado em cima da minha cama.


Postado por Pedro Rangel T. Sá

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A Pomba-gira da vida

Mensagem de uma guardiã



Certa vez eu estava andando pelas ruas, a altas horas da madrugada, pensando na vida e nas coisas pertinentes a ela quando, perto de uma encruzilhada, uma imagem chamou sensivelmente minha atenção: era uma mulher extremamente bela, dessas de corpo perfeito, olhos esverdeados e cabelos negros, sedosos, ondulados e que chegavam à altura da cintura.
Confesso que com estes nossos tempos de violência desenfreada fiquei, primeiramente, muito preocupado com a segurança da moça que era mesmo extremamente linda, mas depois fiquei mesmo preocupado é com a minha segurança porque, afinal, e se a bela moça, poucos metros a minha frente, fosse a isca para uma armadilha de assalto? E se a moça fosse a própria assaltante? E se nós fôssemos vítimas de alguma violência? E se......
— ....Moço, por favor, não tenha medo pode se aproximar.
Eu estava realmente receoso de aceitar o convite e confesso que cheguei até mesmo a pensar em dar meia volta e sair correndo com todas as forças de meu ser, mas o seu olhar ao fazer o convite fora tão enfeitiçador que não pude resistir e acabei me aproximando.
Ao chegar mais perto ela me fez um convite minimamente inusitado pedindo que eu ficasse ao seu lado e aguardasse alguns instantes, porque em pouco tempo ela começaria a receber algumas pessoas.
“ Tô lascado meu Deus do céu”, foi o que pensei já imaginando que aquela mulher era dessas de vida fácil. Mas só foi eu pensar nisso que ela virou-se para mim e deu um sorriso tão maravilhoso com seus dentes alvos e sua boca perfeita que meu corpo, assim, começou a aquecer-se e a ficar todo arrepiado!!! Pode parecer até loucura, mas eu tinha a nítida sensação que ela podia ler os meus pensamentos.
Pensei em perguntar o seu nome não no intuito de paquerá-la já que sua imagem provocava em mim um tremendo respeito, mas sim com o intuito de iniciar algum tipo de entendimento, só que eu não conseguia por que qualquer olhar, sorriso, gesto ou fala que ela me direcionava despertava em meu emocional emoções tão reais, intensas e indescritíveis que, temendo explodir meu coração eu preferi silenciar.
— Está vendo moço, disse a bela mulher expulsando meus pensamentos, está chegando meu primeiro convidado; não se preocupe que todos aqueles que aqui vierem a ter comigo serão incapazes de lhe enxergar.
Eu balancei a cabeça assentindo que estava tudo bem, apesar de estar achando tudo muito estranho, e procurei ficar bem atento com a conversação que estava para se iniciar.
— Boa noite, moço!
— Boa noite dona....
— Você está fazendo um curso pré-vestibular, mas de algumas semanas pra cá você não tem conseguido se concentrar nos estudos, certo?
— É, é isso mesmo!
— É só você ameaçar pegar os seus livros para estudar que você começa a sentir um sono terrível, não é?
— Sim, disse o jovem rapaz que não deveria ter mais do que dezessete anos.
— Olha moço eu estou autorizada a te dizer que você está com problemas nos campos do conhecimento e necessitado de estimulação nesta área, mas também que se você quiser melhorar eu tenho permissão pra te ajudar, tudo bem?
— Sim, tudo bem!
Neste momento a bela mulher fechou os olhos como se estivesse a fazer algum tipo de oração e entrelaçou os dedos das duas mãos posicionando as palmas voltadas para o solo; então uma espécie de luz azul-claro bastante irradiante surgiu em suas mãos e ela as depositou em cima dos joelhos do jovem; este deu um suspiro profundo e, como se fosse feito de fumaça, desapareceu da minha frente.
A linda moça, então, colocou as duas mãos nos quadris e soltou uma gargalhada que arrepiou todo o meu corpo. Em breves instantes uma outra pessoa já se encontrava em frente da bela mulher, desta vez era uma pessoa do sexo feminino por volta de seus quarenta e cinco anos.
— Boa noite, moça !
— Boa noite dona.....
— Hoje você está aqui comigo em busca de um equilíbrio na sua vida por que seu ex-marido está judicialmente tentando tirar de você a guarda de seu único filho, ou seja, um problema nos campos da justiça, certo?
— É isso mesmo!
— Tenho permissão para te ajudar, peço que feche os seus olhos e se concentre, tudo bem ?
E dizendo isto a bela mulher novamente fechou os olhos e entrelaçou os dedos das duas mãos posicionando as palmas voltadas para o solo; e outra vez, após estas terem tomado uma coloração azulada, ela as colocou em cima do joelho da simpática dama. Esta também deu um suspiro e desapareceu diante de minhas vistas. Então a bela mulher soltou mais uma gargalhada e me pediu que prestasse bastante atenção porque naquela noite, por parte dela, eu só escutaria mais cinco gargalhadas. Eu assenti com a cabeça dizendo que sim e pude perceber que estava chegando mais uma pessoa, desta vez um homem com aproximadamente trinta anos.
— Boa noite, moço!
— Boa noite dona.....
— Hoje você está aqui por que está se sentindo perdido na vida, sem senso de direção, ou seja, depois de tanto bater cabeça querendo que o Divino Criador fizesse a sua vontade você percebeu que tudo foi inútil e agora deseja submeter-se à vontade Dele, assim como também deseja que Este dê um rumo à sua vida resolvendo este problema nos campos da lei, certo?
— Sim, é isso!
— Bem moço, para sua felicidade eu tenho a permissão de te ajudar, feche os olhos, tudo bem?
Dizendo isso, novamente a bela mulher concentrou suas mãos tomadas de uma coloração azulada e as depositou em cima do joelho do rapaz; depois ela deu mais uma gargalhada e se ajeitou para conversar com a próxima pessoa que, por sua vez, era uma senhora com uns cinqüenta anos de idade.
— Boa noite, moça!
— Boa noite dona.....
— Apesar dos insistentes esforços em estar lhe esclarecendo você está aqui mais uma vez para reclamar sobre os membros da congregação religiosa a qual pertence e para, mais uma vez, dizer que a fofoca está demais e que está perdendo a fé porque não consegue entender como o Divino Criador pode permitir tanto ti-ti-ti dentro de uma Casa de Oração, certo?
— Sim!
— Este já é o décimo-primeiro templo religioso que você procurou para freqüentar em menos de doze meses, certo ?
— Certo.
— Bem moça, a ajuda que eu posso te oferecer é no sentido de estar desiludindo o seu sentido de religiosidade, de estar lhe esclarecendo o fato de que não existe a instituição religiosa perfeita porque perfeito só o é o Criador, tentando, assim,resolver este problema nos campos da fé, você aceita minha ajuda?
— Sim!!!
E a bela mulher depositou suas mãos coloridas de uma belo azul em cima do joelho da senhora com quem conversava para, logo depois de realizado este trabalho, soltar mais uma gargalhada.
Instante depois já estava à frente da bela mulher um senhor por volta de seus cinqüenta anos de idade, ela o cumprimentou:
— Boa noite, moço!
— Boa noite dona....
— Você tem tudo para estar feliz, não é moço? Dez anos de casamento, um belo filho, uma esposa dedicada, um ótimo emprego e dois belos carros. Contudo, já faz mais de dois anos que você tem a nítida impressão que sua vida está parada, não é? O que antes você fazia com prazer hoje você parece que faz obrigado. Mesmo não tendo deixado de gostar das coisas que você sempre gostou você tem a percepção de ter perdido por elas todo o apreço, não é?
— Sim!
— Olha moço, isto acontece com você porque você está apatizado nos campos da caridade. É necessário perceber que dar o conforto àqueles que amamos é importante, mas cuidar daqueles que são nossos irmãos por paternidade Divina é essencial para se alcançar o caminho da evolução que leva ao Divino Criador, você não acha?
— Sim!
— Deseja seguir o caminho da caridade?
— Sim!
— Então feche os olhos!
E dizendo isto a bela mulher colocou suas mãos encantadoramente coloridas de azul em cima do joelho do senhor com que acabara de conversar e, logo após, soltou mais uma gargalhada.
Imediatamente apareceu à frente da bela mulher uma mocinha por volta de seus vinte e três anos de idade e que se encontrava com os olhos inchados e molhados de lágrimas.
— Boa noite, moça!
— Boa noite, dona.....
— Anime-se moça, depois de três longos anos parece que você recebeu a benção de ser mãe, não alimente a dúvida e a incredulidade, pois em pouco tempo você será agraciada com a oportunidade de estar gerando dentro de si a vida de um belo rebento. Estou aqui para dar início à preparação de seu corpo físico e espiritual, nas atribuições que me competem, para que você possa praticar o divino sacerdócio da maternidade, finalizando, assim, este problema nos campos da geração da vida, tudo bem?
— Sim!
— Então feche os olhos.
E dizendo isto a bela mulher colocou suas mãos qualificadas com azul anil em cima do joelho da jovem; esta deu um suspiro profundo e, da mesma forma imediata que chegou ela foi-se. A bela mulher, então, colocou as duas mãos na cintura e deu mais uma gargalhada.
A seguir, a frente da bela mulher, surgiu uma pessoa do sexo feminino por volta de seus trinta e cinco anos.
— Boa noite, moça!
— Boa noite, dona.....
— Pois é moça, quanto sofrimento por um sujeito que, como homem, não mereceria nem o seu respeito quiçá um de seus maiores tesouros e de todas as mulheres que é o seu sentimento de amor. Não adianta você ficar insistindo em querer ficar voltando pra ele, ele está em sintonia com outras coisas, procure você sintonizar-se com o Criador. Insistir não vai adiantar nada, chorar também não; você precisa é agregar novos valores e conceitos em sua vida, principalmente em seu emocional, e será a partir deste acontecimento que você retomará seu equilíbrio emocional e evoluirá nos campos do amor, certo?
— Sim!
— O Divino Criador hoje lhe concedeu a oportunidade de estar readquirindo a paz em seu coração por meio de meus atributos e atribuições, e de assim ser resolvido este seu problema nos campos do amor, você assim deseja?
— Sim!
— Então feche os seus olhos.
Então, dizendo isto, a bela mulher depositou as suas mãos tomadas por uma tonalidade azul em cima do joelho da pessoa com quem conversava e esta, assim como todas as outras anteriores soltou um profundo suspiro e desapareceu. A bela mulher, assim, colocou suas mãos sobre a cintura e, pela sétima vez, pôs-se a gargalhar.
Então, instantaneamente, apesar de saber que ainda estava na encruzilhada, eu tive a sensação de que estava em um outro lugar. Tudo isto eu estava a pensar sem tirar os olhos dos belos olhos da bela mulher. Ela, então perguntou pra mim:
— Então moço, já descobriu quem eu sou?
— Sim, creio que a senhora é uma entidade da umbanda conhecida como Pomba-gira.
— Exatamente! E você sabe o que veio fazer aqui?
— Observar a senhora atender várias pessoas?
— Com que finalidade?
— Ah, isto eu não sei. Eu só sei que via a senhora esclarecendo as pessoas para depois oferecer a sua ajuda, digo, aquela que está no campo de suas atribuições e atributos. Daí então a senhora fechava os olhos, cruzava os dedos das mãos voltando-as para o solo e após elas ficarem azuis a senhora as depositava nos joelhos das pessoas. Agora a finalidade eu não sei por que não entendi o “lance” da cor azul.
— Bem moço, noto que você é curioso, mas vamos por partes: Primeiro, ao fechar os meus olhos, como você bem observou, eu evoco o mistério da linha de umbanda a qual eu estou fatorada; desta forma parte do meu mistério você percebeu como uma coloração azul opalina que viu em minhas mãos ao qual eu procuro honrar e trabalhar depositando-as em cima dos joelhos dos assistidos para que este meu mistério possa alcançar os chacras e sentidos que estiverem problemáticos.
— Mas por que a senhora trabalha na irradiação energética de parte de seus mistérios as pessoas através dos joelhos delas?
— Moço, não sou apenas eu, mas toda pomba-gira trabalha desta forma e isto se dá pelo fato dos joelhos serem a melhor porta de acesso para realizarmos nosso trabalho.
— Como assim?
— Bem moço, toda pomba-gira trabalha através do chacra básico das pessoas, porque ele é a porta de acesso mais direta para estarmos estimulando os chacras que estiverem mais necessitados, é por meio dele que podemos trabalhar os demais e os joelhos são a forma de contato mais prática de estarmos acessando o chacra básico, entendeu?
— Mais ou menos.
— Bem moço, vou te dar um exemplo. Você notou que uma das pessoas que eu assisti esta noite encontrava-se “com a vida ganha”, mas desmotivada de estar realizando as tarefas mais básicas de sua vida, certo?
— Sim.
— No caso desta pessoa a desmotivação era proveniente de sua apatia nos campos da caridade; ou seja, ela pouco realizava em benefício do próximo estando, assim, apatizado nos campos da evolução porque é a caridade a maior responsável pela evolução do espírito, certo?
— Sim.
— Pois bem, detectado o problema e tendo permissão do Criador para resolvê-lo eu poderia até evocar o meu mistério e impor diretamente minhas mãos em cima do chacra que é regido pela linha de umbanda responsável pela evolução, mas sendo eu uma Pomba-gira, ou seja, um espírito estimulador dos desejos e, de certa forma, até mesmo da vida, tendo em vista que sem desejos um ser humano não vive, nada mais pertinente para eu realizar o meu trabalho do que irradiar as minhas energias pelos joelhos do assistido, que é onde se reflete a energia do chacra responsável pelo sétimo sentido da criação Divina ou, se você quiser, o chacra da vida que é o chacra básico. Entende?
— Sim senhora.
— Após o chacra básico do assistido em questão ter absorvido a energia doada por mim este chacra conduz esta energia naturalmente para o chacra umbilical afim de que este irradie a energia de transmutação que foi por mim estimulada. Enfim, entenda que nós, as pomba-giras, temos a nossa forma de trabalho e devemos segui-la a risca se quisermos trabalhar pelo Criador junto à religião de umbanda, entendeu?
— Sim senhora!
— Bem, isto entendido deixe eu lhe explicar sobre a coloração de minhas mãos que, aliás, reside no fato de meu mistério estar fatorado na linha de umbanda que é responsável pela geração da vida então, quando eu evoco o mistério, junto com ele vem uma coloração que representa este mistério que, no caso, é a azul-claro, entendeu?
— Sim senhora. Isto quer dizer que as Pomba-giras irradiam uma energia estimuladora, é isso?
— Exatamente. Cada uma de nós irradia uma energia que estimulará aquilo que estiver dentro de nossos atributos e atribuições.
— Como assim?
— Isto varia bastante.
— Perdão? Não entendi!
— Você é curioso, não é moço?
— Sim senhora.
— Tentarei lhe esclarecer até onde você tenha condições de entender. Eu, por exemplo, sou uma Sete Ondas, ou seja, uma Pomba-gira que atua nas sete linhas regida pelo mistério Yemanjá logo, uma de minhas atribuições é estimular a geração nos sete sentidos da Criação Divina
Após responder esta ultima pergunta ela ficou fixamente olhando em meus olhos sem dizer absolutamente nada. Somente após um breve período foi que ela retomou o assunto:
— Moço está quase na minha hora e desejo ouvir de ti uma última pergunta antes de ir embora.
Fiz então a pergunta derradeira:
— Eu gostaria de saber por que até o momento que a senhora atendia a sétima pessoa eu via claramente que estava em uma encruzilhada ao passo que após o instante que você deu a sétima gargalhada eu, apesar de ver fisicamente que estou na encruzilhada, de alguma forma sinto como se não estivesse, por quê?
— Bem moço, eu só posso lhe dizer que antes do fim do atendimento da sétima pessoa nós estávamos na encruzilhada, que é meu ponto de atuação aí na terra, sem que eu precisasse sair de meu campo de atuação aqui no astral; após o término deste atendimento eu te trouxe no meu campo de atuação aqui no astral sem você precisar sair de meu campo de atuação no lado material.
Eu ia dizer a ela que não havia entendido a resposta, mas ela, parecendo estar novamente lendo meus pensamentos, ainda pôde me dizer.
— Sei que você não captou de forma global o que eu lhe respondi, moço. Mas não se preocupe com isso por que não vou ter nem mesmo a oportunidade de lhe responder. Só te peço um último favor: diga a quantos forem preciso que eu sou uma Pomba-gira da vida. Sim, diga a todos que eu existo! Existo para estimular, de acordo com a vontade do Divino Criador, em todos os seres necessitados a geração de energias que beneficiem os sete sentidos da criação divina. Diga a todos que quando de mim precisarem é só me evocarem que eu , de acordo com a permissão do Divino Criador, estarei em Seu santo nome e em nome da divina mãe Yemanjá a estimular a geração de conhecimento,justiça,lei,amor,fé,vida e evolução na vida e no lar de todos quantos a mim clamarem.Você pode fazer isso ?
— Sim!
— Boa noite, moço.
— Boa noite dona.....



Mensagem recebida por Pedro Rangel T. de Sá


sexta-feira, 13 de junho de 2008

A VERDADEIRA HUMILDADE

Mensagem de um preto-velho








Escrita por Pedro Rangel T. Sá

Estava eu em um terreiro de umbanda intensamente acolhedor participando de uma Gira de Preto-velho, preste a terminar, quando uma Entidade desta linha de trabalho umbandista convidou-me a sentar em sua frente.
— Saravá zifio! Suncê é o ultimo filho de Deus que Nêgo atende no dia de hoje, mas tem nada não né fio por que muitas vezes os últimos acabam sendo mesmo os primeiros, não é?
— É verdade Pai, mas é que eu não estou entendendo uma coisa.
— Calma fio, este Nêgo já escuta suncê, mas antes gostaria de lhe dar um presente.
— Presente?
— É fio! Nêgo pode?
— Por favor, meu Pai, fique à vontade!
— Pois então Nêgo pede que suncê jamais se esqueça que o presente é somente pro fio e que este presente é umas palavras que escrita neste pedacinho de papel.
A Entidade estendeu sua destra para me entregar o papel e, quando fiz menção de abri-lo, disse para mim:
Fio, Nêgo pede a suncê que não abra este presente agora não senão ele vai ficar envergonhado.
— Sim senhor.
Nêgo pede, antes, que suncê dê um presente a ele perguntando o que suncê não entendendo.
— Bom meu Pai, o que eu não estou entendendo é que sempre que visito algum dos Senhores em alguns momentos do sono físico fico como se fosse um repórter: olhando e pesquisando tudo que me for permitido relatar posteriormente na forma de mensagens.
— E o que o fio não entende?
— É que, pelo o que eu estou entendendo o senhor vai me dar uma consulta, não é isso?
— Não fio, Nêgo só quer agradecer suncê!
— Ah, ta!
— Mas se Nêgo fosse dar uma consulta suncê ia achar ruim?
— Não. Eu só iria achar estranho e inusitado, pois isto, conscientemente, nunca aconteceu, antes, em um sonho.
Fio, permita-se viver e descobrir as novidades e a dinâmica da vida sem transformá-las em uma fórmula. Não é por que algo nunca aconteceu com suncê antes que não poderia acontecer agora, certo?
— O senhor tem razão.
— Nunca queira dizer que sabe tudo da religião que suncê professa pelo fato de ver os fenômenos acontecerem sempre da mesma forma. Ponha-se sempre na condição de um eterno aprendiz.
— Sim senhor, perdão!
Suncê não precisa pedir perdão não zifio. Nêgo é que tem de se desculpar por estar falando demais.
— O senhor não precisa pedir desculpas, pois é sempre bom eu estar relembrando esta questão da eterna aprendizagem sobre a umbanda a fim de que eu sempre possa estar exercitando a divina virtude da humildade.
Nêgo pede perdão a suncê por que ele não gosta muito de falar, mas sim de escutar.
— Pôxa meu Pai, é uma pena por que eu não tenho nada para falar, mas sim para agradecer a Vossa lembrança na questão do eterno aprendizado umbandista.
— Então Nêgo se despede do fio pedindo a Zambi que ilumine e abençoe suncê em sua jornada e dizendo a fio que Nêgo é que sempre vai ter o que agradecer ao fio.
Eu nada respondi ao Pai velho. Fiquei pensando no agradecimento que Ele me fez e, acho que sem perceber, fiz algum tipo de careta que O fez retomar o diálogo comigo.
Nêgo inté já se despediu de suncê zifio, mas jamais poderia ir embora vendo esta “careta” de interrogação no rosto do fio. Pode perguntar pra Nêgo fio!
— Sabe meu Pai velho é que não é bem uma pergunta.
— Então é o que zifio?
— É uma observação.
— Pode falar fio.
— É que eu agradeci o senhor por ter ressaltado para mim à importância do umbandista se considerar sempre como um eterno aprendiz e o senhor me agradeceu de volta dizendo que sempre vai ter o que me agradecer.
— E o fio não concorda com este agradecimento que Nêgo fez a suncê, não é isso?
E eu, meio sem graça, respondi:
— É meu pai.
— Sempre quando nóis acaba de atender um fio suncê já viu ele agradecer a nóis e nóis agradecer a ele de volta, certo?
— Certo só que eu não entendo...
— ... calma zifio, se suncê não entende deixa Nêgo tentar explicar.
— Sim senhor.
Fio, sempre que suncê vê um de nóis, preto-velhos, agradecer um fiado quando o atendimento dele termina, lá no fundo, suncê fica pensando se nóis, na verdade, não estaria bajulando os zifios atendidos com o intuito de, através dessa bajulação, os zifios esquecer desta “imensa luz” que suncê diz que nóis tem e nos igualar a eles, não é verdade?
Devo confessar que fiquei extremamente desconcertado com esta observação precisa da Entidade amiga, no entanto, eu o respondi:
— É verdade!
Fio, Nêgo gostou de sua sinceridade, mas imagine com Nêgo:
Imagine um doutor de branco de suncês ai da terra indo para o seu lugar de trabalho e, depois de tanta preparação na escola, não aparecer um fio de terra para ele atender. Passa um dia inteiro e não aparece um paciente, passa dez dias e nada, passa um mês e nada.
— Imaginou?
— Sim senhor!
— Então responde pra Nêgo: que mérito terá este doutor de terra quando tiver que prestar esclarecimento ao seu chefe sobre o seu trabalho?
— Nenhum.
— E esse doutor que nóis imaginou, vai ter chance de subir na profissão?
— Não senhor!
— Então suncê tá acabando de dizer pra Nêgo que só o conhecimento não leva a nada se, junto dele, não estiver à prática. È isso?
— Sim senhor!
— Então suncê começando a entender: um fio que vai ao doutor de terra jamais deve se sentir apenas um receptor da ajuda dele, ele deve se sentir também um doador de ajuda ao doutor de terra. Por que sem um doutor de terra os paciente continua com seus problemas, mas sem os paciente o doutor de terra perde a oportunidade de verificar a eficácia do seu aprendizado e, com isso, aperfeiçoar suas técnicas e evoluir nos seus atendimentos. Nêgo tá mentindo?
— Não senhor!
— Então porque suncê acha que nóis mentiria pra suncê ao agradecer o fio pela oportunidade de nóis tá praticando a caridade?
— .............
— Desculpe a franqueza de Nêgo, mas suncê precisa parar de ver ele como se fosse um espírito de luz que nada mais tenha a aprender e, consequentemente, evoluir.
— Mas os senhores são espíritos de luz.
— Não zifio. Nóis, como suncês, somos espíritos. A luz, que suncês diz que nóis tem, também é de suncês por que se não fosse o atendimento de nóis com suncês, o aprendizado de nóis com suncês, nóis ainda estaria no breu da ignorância.
Ouvindo os comentários sábios da Entidade comecei a sentir o coração a “bater na boca”, uma lágrima a querer escorrer do canto de meus olhos e só pude responder:
— O senhor tem razão.
— Este Nêgo Véio pode falar o português errado, andar aos farrapos e bem devagarinho, mas se tem uma coisa que nóis não faz é bajular quem quer que seja! Quando acaba um atendimento e nóis agradece aos fiado, nóis agradecendo a oportunidade que aquele fiado tá nos dando de praticar a caridade e evoluir junto a Zambi nosso Pai. Porque esse fiado que foi atendido poderia ter muito bem procurado um outro Mano pra fazer atendedor, mas o fiado escolheu este Nêgo e Nêgo tem que agradecer porque se o fiado se consultasse com outro Mano era só o fiado que iria evoluir, pois Nêgo ia ter que ficar parado no mesmo lugar se não prestar atendimento aos zifios necessitados,
suncê não concorda?
Sim senhor
.
Zifio, entenda uma coisa: humildade é uma coisa, falsa humildade é outra.
— Como assim?
— Humilde não é aquele fio que tem um potencial, uma luz, e a renega com medo de atrapalhar a visão de seus companheiros de jornada com o reflexo dessa luz. Este é o falso humilde, pois o próprio mestre Jesus disse: “Que brilhe a vossa luz!!!”. Humilde mesmo zifio é aquele fiado que procura, de alguma maneira, iluminar o caminho de seus irmãos compartilhando a sua luz, não apenas pela consciência da importância desta benfeitoria, mas também para que a luz que vem de Zambi também possa iluminar o caminho dele, pois o mestre Jesus, através de seus exemplos, também deixou bem claro que: “É dando que se recebe”.
— Quando este Nêgo agradece a suncês quando termina um atendedor significa que ele procurando, de alguma forma, exercer a verdadeira humildade não apenas para iluminar o caminho dos zifios, mas também para ter um pouquinho do caminho dele alumiado com a luz que vem de Zambi nosso Pai. Sem suncês nóis não é nada. Entende zifio?
— Sim senhor!
— Na verdade zifio, quando Nêgo agradeceu suncê hoje ele viu uma luz que, ao clarear um pouco os seus caminhos, deixou a mostra uma pedra que está a obstruí-lo.
— Uma pedra?
— Exatamente. Mas o fio não se preocupe, pois o peso dela é do tamanho exato que suas forças podem remover.
— E que pedra seria essa?
— A pedra da desvalorização que o zifio tem por si próprio.
— Como???
— Por que suncê acha que quando Nêgo se despediu do fio dizendo que sempre ia ter muito que agradecer a suncê, o fio manifestou a descrença no sincero agradecimento de Nêgo? Suncê acha que é por falta de conhecimento seu sobre a nossa forma de trabalho? Pois Nêgo fala que não foi esse o causador da descrença! Nêgo fala que suncê não acreditou na sinceridade do agradecimento dele pelo fato de suncê não acreditar em si próprio. Aquele que não acredita em si próprio jamais poderá acreditar em alguém.
— Mas eu acredito no senhor.
— Quando o fio era curumim, apesar de diversas situações sinalizarem o oposto, o fio se achava feio por demais, certo?
— Certo.
— Por causa desta forma de pensar o fio pensava que jamais encontraria um rabo-de-saia pra namorico, não é verdade?
— Sim senhor.
— E quando foi que suncê arrumou um rabo-de-saia? Foi quando seus amigos falaram que suncê era capaz?
— Não.
— Então zifio, quando foi?
— Quando eu passei a acreditar em mim mesmo.
— E quando isto aconteceu suncê nem demorou a arranjar um rabo-de-saia. Não é verdade?
— Sim senhor.
— Pois então zifio este Nêgo fala pra suncê que foi este seu sentimento de inferioridade que fez o zifio duvidar da sinceridade do agradecimento dele a suncê.
— Como?
— O fato de suncê se achar inferior a Nêgo fez suncê duvidar da sinceridade do agradecimento dele ao zifio quando estava a se despedir.
— Mas eu não sou inferior ao senhor?
— Inferior em que zifio?
— Na elevação espiritual, por exemplo.
— Mas zifio, se Nêgo, ao longo de séculos, subiu um degrauzinho ou dois na escada da evolução Divina foi graças aos zifios que Zambi permitiu que ele auxiliasse!!! São as dificuldades que suncês passam na vida e que nóis tenta ajudar que fazem com que nóis, que suncês chama de Entidades, possa engatinhar na direção de Zambi. Nóis quer que suncês nunca tenha dificuldade, mas se o carma de suncês cobrar nóis tem o dever de auxiliar suncês por que fazendo isso somos nóis mesmos que estaremos sendo ajudados.
— Como assim?
— Seu sentimento de inferioridade, por exemplo, nóis queria que ele não existisse mais, mas se ele existe e nóis consegue fazer com que suncê transmute ele em auto-estima, nóis estaremos lhe ajudando, certo?
— Certo?
— E se suncê vence essa dificuldade e evolui, nóis também acabamos evoluindo, certo?
— Certo.
— Então suncê entendeu Nêgo: nóis não gosta de ver suncês triste e, se suncês tiver merecedor, nóis vai fazer de tudo que for possível para transmutar este sentimento em alegria e, se suncês vence a tristeza e evoluem na direção de Zambi nóis também vamos evoluindo e, se suncês nos agradecer por isso, nóis também temos o dever de fazer o mesmo, pois quando suncês evolui, nóis também evoluímos, entendeu?
— Sim senhor.
Nêgo fica feliz com seu entendimento, mas Nêgo quer perguntar pro fio se suncê pode fazer um favor pra ele.
— Com certeza!!!
— Então Nêgo pede pra suncê dizer a todos os seus irmãos umbandistas que nóis, que suncês chama de Entidades, temos para com eles uma divida eterna de gratidão que nos faz agradece-los ao término de cada atendimento e trabalho espiritual que realizamos em favor do próximo.
— Divida? Qual divida?
— A divida da eterna gratidão por eles auxiliar a nóis em nossa evolução rumo a Zambi nosso Pai.
— Pode deixar que eu o farei querido Pai velho.
— Então este Nêgo pode se despedir de suncê outra vez em forma de agradecimento?
— O senhor não precisa nem pedir!
— Não preciso porque agora suncê entende o agradecimento?
E eu, com os olhos cheios de lágrimas, respondi:
— Não. Não precisa porque o senhor mora no fundo do meu coração!
Ao contrário do que pensei o Preto-velho nada respondeu em relação a minha sincera manifestação de amor a Ele. Eu achei até estranho por que sei que esta linha de trabalho da umbanda é extremamente atenciosa e afetuosa, mas o Pai velho, com um sorriso enigmático na face, apenas despediu-se dizendo:
— Fique na força e na luz de Zambi, nosso Pai!!!
E eu O respondi:
— Que assim seja!!!
Após esta despedida a gira de preto-velho acabou e eu, no entanto, ao invés de retornar ao corpo físico, fiquei ali parado sem entender por que a Entidade nada me respondeu em relação a minha manifestação de carinho. Na verdade, eu já estava começando a querer ressuscitar até o meu antigo problema de inferioridade, querendo pensar que a Entidade nada me respondeu pela minha inferioridade moral e espiritual em relação a Ela. Foi quando, ao apalpar o bolso direito de minha calça eu senti um volume sutil e me lembrei do presente que o Pai velho havia me ofertado.
Sem mais demoras eu abri o pedaço de papel que se encontrava dobrado e pude ler:
“Pare de se sentir inferior zifio! Nêgo nada respondeu pessoalmente a sua manifestação sincera e pungente de carinho por que Nêgo já havia dado este presente pra suncê e se Nêgo falasse alguma coisa ia acabar estragando a sua surpresa e, se isto acontecesse, suncê poderia ficar até mesmo triste, justamente o que este Nêgo não quer, ele quer é ver suncê feliz.
Como suncê observando existe uma parte desta mensagem em que, aparentemente, não existe nada escrito.
Concentre-se de olhos abertos e segurando com as duas mãos este papel, próximo a região onde se encontra o seu coração, em todo o amor que suncê sente por suncê mesmo que o zifio acabará encontrando, aqui mesmo nessa parte em branco da mensagem, o presente de eu pra suncê
Achei inusitado o pedido de concentrar-me de olhos abertos, mas sem questionar fiz o que me foi determinado e o que aconteceu depois beira o indescritível de tão surreal: ao aproximar mediamente o papel do meio do meu tórax, concentrando-me no amor solicitado pela Entidade, eu vi uma energia sair do bilhete e formar uma bola de luz violeta que levitou até a altura acima da minha cabeça para depois adentra-la e, quando isto ocorreu, eu percebi que todo o meu tórax estava irradiando uma coloração rósea que, ao alcançar o papel, fez com que este deixasse a mostra, na região que antes parecia não haver nada escrito, letras que formavam uma mensagem que o Pai velho havia deixado pra mim:
“Não se preocupe com a cor rosa saindo do seu tórax por que ela só significa que a luz da transmutação violeta que Nêgo Véio deixou de presente pra suncê neste pedaço de papel conseguiu transformar seu sentimento de inferioridade, devido à falta de amor por si mesmo, em auto-respeito e, somente porque isto aconteceu foi que suncê conseguiu ler este pedaço da mensagem que aparentemente estava em branco; por que somente quando se ama a si próprio, um ser humano tem verdadeira capacidade de amar o próximo e de enxergar todo o amor que este tem a lhe ofertar, por exemplo, na forma de um presente. Suncê diz que ama Nêgo e eu fico muito feliz, mas nunca esqueça de amar a si próprio, pois só assim Nêgo consegue sentir com mais intensidade todo esse seu amor. Suncê vive a recordar que não é superior a ninguém, só não esqueça de se lembrar que também não é inferior. Por ultimo, este Nêgo só tem uma coisa a mais pra dizer a suncê: suncê também mora no mais recôndito lugar do coração deste Nêgo Véio!!!.”
Nem preciso dizer que despertei em minha cama aos prantos, mas penso que, esteja onde estiver, o Pai velho do meu sonho está muito ditoso com a origem do meu pranto: uma renovada e consciente sensação de gratidão a Deus pelo sonho transmutador que acabara de ter com os amados e inestimáveis preto-velhos.


Saravá ao Divino trono da evolução!!!
Saravá a divina linha de trabalho deste Divino trono!!!
Saravá a transmutação!!!!



quinta-feira, 22 de maio de 2008

Correndo gira - Uma canção de amor

Por Pedro rangel T. de Sá


Ditado pelo Sr. Caboclo Sete Estrelas


Certo dia ao me deitar, e já era tarde da noite, senti alguém a me pedir que fizesse uma prece: agradecendo primeiramente pelo dia que tivera e, posteriormente, pelas bênçãos que eu queria em minha vida e por uma ótima noite de sono.
Assim eu fiz e tomei um enorme susto ao acordar e perceber que me encontrava em algum terreiro de umbanda. Quando digo susto eu quero dizer susto mesmo: Eu estava apavorado por perceber que me encontrava sozinho e em um terreiro que eu nunca estivera na vida.
Mas o que mais me apavorava era o fato de que eu estava em um terreiro, onde uma gira estava prestes a se iniciar, sem ter sido ao menos convidado e, para piorar, NENHUM MÉDIUM CONSEGUIA ME VER!!!!. Eu não sabia se estava morto ou vivo e já estava começando a me descontrolar quando uma voz em minha mente pediu que eu me acalmasse.
Na verdade era uma voz bastante familiar para mim e, devido a este fato, eu fiz uma prece a Deus e pedi que acalmasse os meus nervos. Instantes depois escutei a mesma voz a dizer em minha mente:
— Gostei de ver companheiro, a fé é a mãe de todas as virtudes, mas ela só pode se manifestar plenamente se houver equilíbrio.
— Obrigado meu irmão, mas a sua voz não me é estranha, por acaso o Senhor não é o preto velho.....
— .... Desculpe lhe interromper companheiro, mas é que, na verdade, o meu nome é o que menos importa. Prioritário mesmo é a tarefa que você tem a desempenhar esta noite.
— Eu !?!?!?
— E por que não? Sente-se indigno ou não crê na magnitude de Deus?
— Não é isso não; é que estou em um templo desconhecido e não posso nem mesmo Lhe ver.
— Bem companheiro, esta é uma casa de oração composta por cinqüenta médiuns, todos hoje aqui presentes, contando com o auxílio de Jesus para a prática da caridade, pois foi ele mesmo quem disse que onde houvesse duas ou mais pessoas reunidas em seu nome ele estaria presente, certo?
— Sim senhor.
— Então, neste templo, neste exato momento, há a presença de Jesus, certo?
— Sim senhor.
— Sendo assim você não está sozinho e por isso a nada deve temer. Quanto a me ver eu posso lhe dizer que os olhos às vezes podem pregar muitas peças e lhe peço, portanto, que possa me enxergar através de seu coração tudo bem?
— Tudo bem, acho que entendo o que o senhor quer dizer. Mas você poderia me informar que tarefa eu poderia realizar aqui neste terreiro se nenhum médium pode me ver?
— Perfeitamente. Sua tarefa é observar o desenrolar desta gira desde o seu início até o seu término.
— ??????????
— Pode dar inicio a sua tarefa companheiro!
— Olha o senhor queira me desculpar até a ousadia, pois se me disse que aqui neste terreiro os médiuns vivenciam as lições de Jesus, com certeza deve ser porque aqui é um terreiro exemplar; mas é que eu já visitei outros templos que também são bastante valorosos e não consigo entender o que este possui de diferente dos outros aos quais me referi.
— De diferente? Nada.
— Mas então por que....
— ....Acalme-se companheiro, emudeça a sua curiosidade e você observará nesta noite situações claras onde falar é prata e calar-se é ouro.
— Sim senhor.
Disse isso ainda um tanto sem entender nada e comecei a observar a abertura da gira que já estava para começar. Os médiuns começaram a cantar os pontos de abertura e só por esse inicio já dava para perceber que havia uma sinergia muito grande naquela casa de caridade; entretanto, excetuando-se este fato, não observei nada de inédito no inicio da gira; a maioria dos pontos, inclusive, eu conhecia. Mas, lembrando do recado do amigo espiritual eu procurei calar a minha curiosidade e minha impaciência e pus-me a observar a gira com todo respeito que merece toda casa de oração.
Tudo ocorria naturalmente em minhas observações quando de repente eu vi algo mágico: um cordão dourado de mais ou menos cinco centímetros de espessura foi conectado nas costas do sacerdote da casa, na região do coração, e imediatamente após a ocorrência deste fato ele incorporou a entidade responsável pelos trabalhos espirituais.
Instantes depois eu pude observar esta Entidade bater três vezes as duas mãos e todos os médiuns de incorporação também terem seus corpos conectados por um cordão de mesma espessura que, de uma forma incrível, fez com que todas as entidades que os acompanham incorporassem.
Já não agüentava mais de tanta curiosidade quando a voz amiga veio em minha mente para me esclarecer:
— Por que este espanto companheiro? Você não acreditava que na incorporação o espírito, literalmente, entrava no corpo do médium, certo?
— Não senhor, eu sabia que não era assim, só não sabia que o processo da incorporação poderia se dar desta forma que eu acabei de ver. Agora o Senhor poderia me dizer o porquê de cada um dos médiuns de incorporação ter os cordões conectados em partes diferentes de seus corpos e nas mais diversas cores?
— Sim companheiro. Isto é algo que eu posso lhe informar, veja bem, cada cor representa o orixá a qual cada uma destas Entidades serve no plano espiritual, ou seja, aos quais ela esta fatorada; assim o cordão conectado ao sacerdote deste templo é dourado porque a Entidade que o acompanha pertence à falange de Oxalá e assim por diante, entende?
— Sim senhor.
— Já no que diz respeito ao local de conexão do cordão eu só estou autorizado a lhe dizer que as Entidades só acessam no corpo do médium os chacras em que estão autorizadas a trabalhar para realizarem sua ligação mental, emocional, energética e até mesmo física com os mesmos; assim, no sacerdote desta casa, o cordão está conectado em suas costas por que o chacra cardíaco é aquele que a entidade que lhe acompanha está autorizado a trabalhar, entendeu?
— Meu Deus, isto é impressionante!!! Entendi sim senhor!!!
— Muito bem, continue a observar.
E foi assim que eu me aproximei de uma roda de descarrego para observar, com todo o respeito, o trabalho das Entidades e o que eu vi me deixou muito, mas muito, assombrado por que o que eu pude ver era tão incrível que talvez eu não consiga nem mesmo descrever: havia cinco Senhores caboclos participando desta roda de descarga a qual me refiro e na região exata acima de onde se encontrava a roda de descarga havia um portal aberto do tamanho exato da mesma.
A dinâmica do trabalho dos Senhores Caboclos na roda se dava da seguinte maneira: os passes cada um Deles dava da sua forma, mas o que era invariável é o fato de que com o estalar dos dedos da mão direita Eles jogavam sobre os assistidos várias formas de energias que provocavam naqueles um enorme bem-estar; já com a mão esquerda Eles absorviam destes uma espécie de gosma que desaparecia por encanto quando Eles estalavam os dedos desta mão.
Procurei saber do amigo espiritual que estava fazendo companhia para mim o porquê daquela gosma terrível desaparecer quando os Senhores Caboclos estalavam os dedos, mas dele só ouvi a resposta de que aquela gosma retirada das pessoas eram energias negativas que os elementais cuidavam de eliminar.
Perguntei, então, a ele por que eu não conseguia ver os elementais, foi quando ouvi sua resposta:
— Você não consegue ver porque isto não lhe é permitido e antes que me pergunte o porquê eu lhe peço encarecidamente que não se prenda a detalhes e continue a observar o desenrolar desta gira.
Entendi o recado velado do amigo espiritual e procurei continuar a observar o trabalho das entidades na roda de descarga e considero importante ressaltar que no preciso instante que as Entidades fechavam o trabalho na roda, do alto do portal localizado acima desta, um enorme feixe de luz banhava a todos dentro dela ( tanto consulentes quanto Entidades) e logo após este portal se fechava para só se abrir novamente quando também era aberta uma nova roda de descarga.
Após observar estes fatos eu me pus a analisar como Deus pode ser tão perfeito e ao mesmo tempo manifestar esta Sua perfeição de forma tão simples e foi então que eu ouvi novamente em minha mente a voz do amigo espiritual que estava a me acompanhar:
— Realmente companheiro a simplicidade é uma virtude inerente ao Divino Criador, ou você acha que Jesus mentia ao dizer que o reino dos céus é dos simples e humildes? Agora cabe a vocês desenvolverem esta divina virtude cada vez mais em suas existências. No dia em que você perceber que está perdendo esta preciosa virtude procure sempre lembrar da Divina simplicidade dos Senhores Caboclos ao ministrarem seus passes energéticos: fazem-no por meio do ato simples e discreto de estalar os dedos e, no entanto, quantas maravilhas este ato gera na vida de seus assistidos não é mesmo?
— É verdade!
—Companheiro, estou notando que você está observando por aqui fatos realmente proveitosos, mas agora eu gostaria que você os escutasse, você me permite?
— Claro,digo, sim Senhor.
Dito isto eu fechei meus olhos por breves instantes e senti um leve formigamento em minha cabeça, foi ai que eu abri meus olhos e o que vi e escutei me fez sentir que estava ficando louco: os médiuns que não estavam incorporados cantavam pontos da linha de Xangô e as Entidades incorporadas estavam cantando o mesmo ponto só que, no caso destas, eu não estava escutando em nosso idioma que é o português, explico: estes médiuns incorporados estavam cantando em português, só que as entidades “ligadas” a estes médiuns cantavam os pontos em uma língua desconhecida e que só posso denominar de mágica porque os pêlos de todo o meu “corpo” estavam eriçados e não voltavam a seu estado normal de forma alguma; além disto, meu chacra umbilical começou a irradiar uma forte e fosforescente coloração alaranjada. Antes que eu perdesse o equilíbrio por tanta curiosidade clamei a Entidade amiga que me explicasse alguma coisa e, graças a Deus, ela veio em meu socorro.
— Está se sentindo confuso companheiro?
— É, o senhor sabe não é?
— Da sua curiosidade? Sei sim e posso tentar lhe esclarecer em algumas coisas. Primeiramente eu posso lhe dizer que você não está louco e sim com sua capacidade auditiva momentaneamente potencializada, entende?
— Sim senhor.
— O som que você está ouvindo as entidades firmarem e que não é da sua língua, na realidade, são mantras, entende?
— Agora que o senhor me explicou eu até entendo, mas por que Elas não firmam em português.
— Companheiro, os Senhores Caboclos firmam o ponto cantado em português, mas entenda que a linguagem original de pontos como estes, conhecidos como pontos de raiz, na verdade, é a linguagem mântrica; vocês aqui na terra podem até cantar em suas linguagens de origem, mas entenda que no plano espiritual estes pontos evocam mantras ancestrais que ativam as energias das linhas de umbanda a qual se refere o dito ponto e trazem estas energias para o terreiro em favor dos assistidos. Você só pôde ouvir os Caboclos entoando estes mantras a fim de que pudesse perceber auditivamente, mesmo que de forma ainda bastante imprecisa, que eles existem e que os efeitos das ações destes mantras são reais. Na realidade eu só dilatei sua capacidade auditiva para que aprendesse de verdade uma das formas como as entidades se utilizam da energia e poder de concentração de vocês quando estão a firmar os pontos cantados umbandistas com discrição, dedicação e desejo de ao próximo fazer o bem, e os pêlos eriçados do seu corpo e esta forte coloração alaranjada em seu chacra umbilical refletem isto, entendeu?
— Sim, agora eu entendi. Mas será que o senhor poderia me esclarecer uma outra coisa?
— Pergunte primeiro companheiro.
— É que depois que eu senti o formigamento na cabeça eu também comecei a perceber que a maioria dos médiuns que estão cantando os pontos estão irradiando em torno de si cores que são divinamente maravilhosas e eu gostaria de saber, se possível, o porquê disto.
— Isto eu posso lhe responder companheiro, mas eu devo lhe dizer que ainda estou esperando uma determinada pergunta de sua parte. Quanto a esta que você acaba de me fazer eu volto à pergunta anterior que era relacionada à questão dos mantras, lembra?
— Sim senhor.
— Eu havia lhe dito que o cantar dos pontos ativa energias da linha de umbanda evocada no ponto que está sendo cantado, certo?
— Sim senhor.
— Pois entenda companheiro que os sons destes pontos geram cores porque sete são as cores do arco-íris e sete são as notas musicais, está acompanhando?
— Sim senhor.
— Pois então, o divino Criador permite que as cores geradas através das notas musicais dos pontos cantados, que na realidade são bênçãos divinas ativadas para a caridade na forma de cores, também possam colorir, ou seja abençoar, aqueles que estão cantando os pontos e é por isso que você está vendo tantos médiuns “coloridos”, percebe?
— Sim senhor.
— Além deste motivo ainda existem outros que justificam a “coloração” dos médiuns e eu posso te revelar mais um destes que consiste no fato das entidades do templo também banharem os médiuns da casa com as cores das linhas de umbanda a que estão fatoradas, percebe?
— Sim senhor, agora o senhor poderia me dizer se eu devo justificar a ausência de irradiação de cores em certos médiuns que estou a observar pelo fato deles não estarem firmando os pontos?
— Graças ao Criador você fez a pergunta que eu passei esta gira toda querendo escutar de ti antes que ela chegasse ao seu fim, como está prestes a acontecer. E na verdade eu lhe respondo companheiro que a ausência de irradiação de cores por partes destes médiuns que você citou não se deve pela ausência do canto por parte deles; Entenda que cantar é meramente um ato externo, entenda que em uma gira o que faz o templo e a vida de vocês ficar “colorida” é a concentração no que está sendo cantado e o desejo que este canto possa fazer o bem ao próximo. Entenda que as entidades no plano astral,quando é fundamental, também estão a firmar os pontos cantados e você, na noite de hoje, está sendo testemunha disto, não é verdade?
— É sim Senhor.
— Agora o que jamais deve ser esquecido é o fato de que, por serem seres desencarnados, o canto das entidades tem efeito mínimo em uma gira de umbanda: vocês médiuns é que são a parte fundamental em uma gira de umbanda por que são vocês que estão no plano onde fisicamente acontecem as giras que é o plano material. Então vocês médiuns devem fazer a parte de vocês com perfeição para que nós possamos fazer a nossa. Entenda a maior e mais profunda verdade: em uma gira de umbanda, sem a firmeza e vibração de vocês, nós pouco podemos realizar em favor do próximo, entendeu?
— Sim senhor.
— Eu disse que estava ansiosamente esperando esta sua pergunta por que este é o recado que eu desejo que você, por obséquio, passe aos seus irmãos de fé, afinal de contas você não acha que foi trazido até aqui esta noite apenas para realizar “turismo espiritual”, não é?
— Não senhor. O senhor pode deixar que eu passarei agora mesmo este Vosso recado.
— Agora mesmo não companheiro, a gira vai se encerrar agora e eu, como disse anteriormente, gostaria que você ficasse até o seu término, tudo bem?
— Sim senhor.
E dito isto eu pude observar que enquanto no plano material os médiuns estavam todos de mãos dadas em volta do gongá a fazer as orações de agradecimento a Deus; no plano espiritual as entidades também estavam todas de mãos dadas só que cantando uma canção que, desde o momento que começara a ser entoada, serviu como um dispositivo para que um enorme feixe de luz com singela coloração rósea jorrasse do alto e banhasse a médiuns e entidades ao mesmo tempo que uma verdadeira cascata de pétalas de rosas vermelhas também banhasse a ambos. Sei que a gira já estava terminando e que eu deveria prezar pelo silêncio, mas a curiosidade e o desejo de saber foram maiores que a prudência e eu, respeitoso, perguntei:
— Irmão sei que não é a hora mais apropriada, mas o Senhor poderia me dizer que canção é aquela que as Entidades estão cantando?
— Companheiro, não se acanhe. Na verdade eu também estava esperando por esta pergunta; eu só gostaria que você, após a dúvida ter esclarecido, também passasse esta mensagem para todos os seus irmãos de umbanda, tudo bem?
— Sim senhor.
— Então companheiro, diga a seus irmãos de fé que em todo templo de umbanda onde a única meta é a caridade, ao término de cada gira, quando os médiuns dão-se as mãos e põe-se a orar em agradecimento a Deus pela oportunidade do trabalho a favor do próximo; nós, as entidades espirituais de cada uma destas casas de caridade também damo-nos as mãos e nos pomos a orar, através de uma canção, e a agradecer ao Criador, por meio desta, pelo fato Dele nos ter dado a benção de contarmos com a presença de vocês médiuns, apesar das dificuldades de cada um, para todos juntos realizarmos a caridade em favor do próximo em mais uma gira de umbanda. E o nome desta canção que todas as entidades de todos estes terreiros põem-se a cantar no final de cada gira para agradecer a Deus a presença, dedicação, amor e firmeza de todo filho de fé tem um nome que se representa em três palavras: CANÇÃO DE AMOR.



Salve Deus pai todo poderoso!!!!
Saravá as sete linhas de umbanda!!!!
Saravá a todas as linhas de trabalho da umbanda!!!!
Saravá a canção de amor!!!!