segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

INGRATIDÃO





Certa noite, enquanto meu corpo repousava na cama, fui atraído para uma região de mata onde havia um campo coberto por gramíneas tão verdejantes e alinhadas que mais parecia um gramado de campo de futebol. Em todo aquele vasto campo só existia um pé de árvore: era uma jabuticabeira e eu recordei-me que já estivera no local em outra ocasião.
Um preto-velho baforava um cachimbo e estalava os dedos ao redor de uma vela posicionada no chão enquanto analisava uma pequena tela translúcida disposta à sua direita. O sol brilhava forte no céu, mas a entidade amiga trabalhava no aconchego provocado pelas sombras da árvore amiga.
Ele olhou para mim e, mentalmente, pediu-me respeito e oração pelos acontecimentos que ali se sucederiam. Calei minha curiosidade e fui para a esquerda do amigo espiritual, após haver recebido dele a determinação para isto.
Então, como que por um encanto, apareceu um homem que se sentou a frente da entidade depois de já tê-la saudado respeitosamente.
Não posso enganar a ninguém e devo confessar que minha curiosidade ficou aguçada com aquela situação, entretanto, a empatia emanada pelo assistido era tamanha que passei a sentir sua dor e sua angústia como se fossem minhas. Assim, calei minha bisbilhotice e coloquei-me a orar piedosamente por aquele espírito que sabia ser encarnado pelo cordão prateado que trazia junto a si.
O diálogo iniciou-se quando Pai Josué perguntou ao assistido:
− Como vai suncê meu filho?
− Estou muito cansado vovô!!
E, dizendo isto, passou a chorar copiosamente. Chorou tanto e tão sentidamente que, enquanto orava, chorei também junto com ele como se também fossem meus o cansaço e a dor que ele sentia. Pai Josué estalava serenamente os dedos da mão direita em torno da vela enquanto o homem acalmava as emoções. Somente após foi que disse a ele:
− Chorar faz bem pra alma zifio, suncê tá melhor?
− Desde que nasci só faço passar por ingratidão vovô, muita ingratidão!
− Na verdade eu me sinto mesmo é muito sozinho. Sei que é melhor estar só do que mal acompanhado, mas como dói quando a solidão vem de braços dados com a ingratidão! Estou cansado vovô!
− Mas o que tá acontecendo zifio?
− O que sempre acontece desde que nasci vovô: ingratidão em cima de ingratidão.
− Preto-velho sabe zifio, mas conta pra nêgo sobre a última ingratidão, por caridade!
− Eu e meus irmãos estávamos com fome dentro de uma mata e bem distantes do lar. Para tentar aplacá-la todos passamos a procurar algum pé de frutas comestíveis, mas não conseguíamos encontrá-lo.
− Todos se ajoelharam na mata e deram as mãos enquanto faziam orações para que Deus me abençoasse a encontrar as tais frutas, pois já estávamos cansados da procura e indicaram-me para tal tarefa. Enquanto também orava sai a procura e encontrei uma mangueira repleta de frutos maduros.
− Louvado seja Deus zifio!
− Retornei para junto dos irmãos e contei sobre a descoberta. Todos exultaram em alegria, mas observaram que o pé de manga era muito alto e passaram a questionar como fariam para tirar as frutas do pé. Como não chegaram a um consenso sugeri que eu e meus três irmãos passássemos a procurar alguma vara para tirar os frutos uma vez que nenhum de nós tinha condições de subir na árvore que, de fato, era imensa.
− E depois, meu filho?
− Alguns minutos depois cada um de nós trouxe uma vara, mas só uma possuía altura suficiente para atingir as frutas mais próximas ao solo sendo as demais descartadas por nós.
− Como entre todos eu era o mais alto, fui escalado para tirar os frutos com a vara. O sol estava muito forte e cegava minhas vistas, mas consegui atingir um galho que estava repleto de mangas; entretanto atingi junto uma casa de marimbondos que veio ao chão espatifando-se em três pedaços. Os insetos vieram atrás de nós com toda a força e corremos velozmente em direção a um rio que havia ali por perto.
− Suncês conseguiram escapar?
− Dos maribondos sim, mas não sem antes nós todos levarmos algumas ferroadas.
− E depois?
− Após, retornamos a mangueira e degustamos de seus frutos. Tal gesto deu-nos força e sustento para retornarmos ao lar. Entretanto, quando isto se deu,de uma forma que não sei explicar, uma diarréia terrível atacou a cada um de nós.
− Mas graças a Zambi que suncês venceram a fome e conseguiram retornar ao lar!
− Eu também penso assim Pai Josué, mas meus irmãos culparam e ainda me culpam por tudo: pelas ferroadas dos insetos, por quase haverem se afogado no rio, por eu haver encontrado uma mangueira ao invés de outro fruto e por tudo mais que suas fantasias conseguem alcançar.
− E esse é o tal motivo do seu cansaço atualmente zifio?
− Desculpe-me por minha imperfeição vovô, mas é isto mesmo!
− Imperfeitos somos todos nos zifio, só Deus é perfeito!
− Eu sei, mas o senhor é muito mais elevado espiritualmente do que eu vovô, ao senhor este cansaço pode até mesmo parecer coisa pequena!
− Engano seu zifio! Como nêgo pode apequenar algo que está trazendo tanta dor pra suncê?!? Apequenar não ajudará suncê a entender sobre o amor de Deus!
− Amor de Deus?
− É zifio: a caridade! De mais a mais, este nêgo apanhou muito pra conseguir entender uma coisinha ou outra na atualidade.
− Verdade vovô?
− Claro zifio, suncê quer ver?
− Ver vovô, mas como?
− Nesta tela que suncê ta vendo aqui do lado de nêgo!
− Puxa vovô se não for violar sua intimidade e trazer a lembrança antigas dores eu gostaria sim.
− Zifio, se suncê tiver fé e muito amor de Deus no coração acabará entendendo um dia que a verdadeira dor sente mais aquele que inflige o açoite do que aquele que o recebe. E como dói esta dor zifio! Como ela pode durar quase que infinitamente!
− Como assim Pai Josué?
− Vamos assistir as imagens?
− Sim senhor!
O preto-velho estalou os dedos e imagens passaram a suceder-se na tela.
Foram dois episódios aparentemente diferentes com os mesmos personagens:
No primeiro episódio, apareceu um homem muito parecido com Pai Josué que trazia nas mãos uma sacola de pano, de tamanho médio, cheia de moedas. Chegando em frente de um outro homem ele entregou-lhe todas as sua moedas e este, então, deu-lhe um pedaço de tesouro ínfimo.
No segundo episódio, o mesmo homem que se assemelhava a Pai Josué, trazia na mão uma única moeda e entregou-a ao mesmo homem do primeiro episódio que, assim, entregou-lhe um grande e bonito tesouro; após as imagens apagaram-se da tela. Pai Josué perguntou para seu assistido:
− Entendeu zifio?
− As moedas eram de valor diferente vovô?
− Não zifio, eram moedas mágicas que possuíam o mesmo valor.
− Moedas mágicas?!? Como pode ser isto? Como uma porção de moedas mal deu para comprar uma minúscula jóia enquanto que uma só moeda comprou uma jóia fabulosa?
− Suncê observou o nome da unidade monetária cunhada na moeda?
− Não vovô!
Então observe mais uma vez!
Dizendo isto o vovô voltou as imagens dos dois episódios em cenas especificas e seu assistido observou que, de fato, as tais moedas mágicas tinham realmente o mesmo valor em ambos.
A entidade perguntou-lhe:
− E agora zifio, suncê observou o nome da moeda?
− Sim senhor: é INGRATIDÃO!
− E o que suncê entendeu?
− Muito pouco: quer dizer que muita ingratidão não compra quase nada e pouca ingratidão compra quase tudo?
− Mais ou menos, mas pense: o que e quem dá valor às moedas?
− Deus?
− Então suncê está dizendo que Deus fornece ingratidão para a vida de seus filhos, é isso?
− Não, Deus é justo!
− Então quem valora as moedas?
− A própria pessoa que recebe?
− Exatamente zifio. Estas moedas são mágicas por que tem a propriedade de fazer o seu portador entender que o verdadeiro lucro vem não por fazê-las render mais, mas sim menos.
− Elas são um exemplo daquela situação em que menos é mais, vovô?
− Exatamente zifio, mas por meio de que suncê acha que o portador das moedas pode e deve desvalorizá-las fazendo com que rendam menos e aumentem a possibilidade de que recebam os mais valorosos tesouros?
− O merecimento e o carma?
− Explica pra nêgo zifio, por caridade!
− No primeiro episódio a pessoa em questão estava com a sacola cheia de ingratidão devido ao seu carma de reencarnações pretéritas, já a pessoa do segundo episódio ( apesar de ser muito parecida com o do primeiro )tinha menos carma a quitar nos campos da ingratidão e assim só era portadora de uma única moeda.
− Zifio, e se nêgo veio contar que as pessoas dos dois episódios são uma só?
− Bem que eu desconfiei Pai Josué!
− São uma só na mesma encarnação!
− Como assim Pai Josué? Como aquela pessoa ficou com uma só moeda ao término de uma encarnação se no inicio da mesma possuía várias?
− Então zifio, é justamente isto que nêgo quer saber!
E, dizendo isto, deu “aquela” risada gostosa como só os preto-velhos sabem fazer. O assistido da entidade riu efusivamente junto com ela.
− Olha vovô anteriormente em nossa conversa o senhor falou no amor de Deus, a caridade, seria isto?
− Uma parte da resposta sim, zifio, mas conta pra este preto-velho como foi que Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou à que se resumia a Lei e os profetas?
− Amar ao senhor teu Deus, incondicionalmente, acima de todas as coisas e ao próximo com a si mesmo!
− Nêgo véio gostou de ver meu filho! E o que aquele que ama a Zambi e ao seu próximo faz com a ingratidão que lhe é ofertada?
− Perdoa?
− Não seria aprende a perdoar, zifio?
− É difícil perdoar vovô, só Deus ajudando mesmo!
− Por isso que Nêgo véio disse que suncês tem de aprender a perdoar! Pra suncês num é muito fácil, mas se suncês tiver humildade, é só clamar a Deus que Ele ensina direitinho.
− Agora estou entendendo vovô!
− Quanto mais amor ao próximo, mais suncês vão tendo condição de receber a ingratidão deste como uma preciosa moeda que pode levar suncês a adquirir os tesouros espirituais, e à medida que suncês vão adquirindo tais tesouros estas moedas vão sumindo das suas existências e suncês vão enriquecendo em espírito e verdade. Tendo humildade e amor suficientes, suncês podem chegar ao fim da encarnação até mesmo sem nenhuma destas moedas.
− Incrivel vovô!
− A moeda da ingratidão é mágica também por que é a mais valiosa para se adquirir humildade e sabedoria, tornando-os pobres de suncês mesmos e mais ricos da presença de Deus-Nosso-Pai. É aprendendo e exercitando o amor ao próximo que suncês diminuem a cotação da moeda da ingratidão; quando uma só moeda perde seu valor ela deixa de existir e suncês adquirem um tesouro espiritual. Quanto maior o valor da ingratidão, perante a Lei Maior e à Justiça Divina, maior deve ser o esforço no aprendizado do perdão a esta; uma vez alcançado esta condição o valor de tal moeda é anulado e um tesouro mais valoroso aos olhos do Divino Criador é acrescentado no patrimônio espiritual de suncês.
− Incrível vovô, mas a sensação que tive quando vi os dois episódios na tela era que as moedas estavam sendo trocadas pelos tesouros.
− Não foi sensação zifio,ao longo de uma encarnação a possibilidade de aquisições de tesouros espirituais são imensas, entretanto o que suncê viu representa simbolicamente a troca inicial e a derradeira de toda uma encarnação!
− A hora do reencarne e a do desencarne?
− Exatamente meu filho! A primeira imagem que suncê viu retrata a quantidade de moedas de ingratidão adquiridas por este nêgo véio em encarnações pretéritas e o parco tesouro espiritual recebido por mim no reencarne devido ao grande valor que dava a elas. Já na segunda imagem, o que suncê observou é o símbolo final do quanto conseguimos desvalorizar de ingratidão ao longo de uma existência no plano físico e do tesouro espiritual final que adquirimos por conta desta desvalorização. Como suncê viu, apesar do esforço deste preto-velho, ele não consegui desvalorizar uma última moeda ao longo daquela referida encarnação, na época que o Império Assírio era o mais poderoso na face da terra. Na atualidade tal moeda, graças a Zambi, não é mais propriedade minha!
− Que linda foi tua luta, tua perseverança, tua história vovô!
− Lindo é Deus zifio! Linda é toda a oportunidade que Zambi tem lhe dado de enriquecer dos tesouros do espírito. Se suncê diz pra Nêgo que sua atual existência é só ingratidão, imagine o quanto que Deus-Nosso-Pai considera que suncê é capaz e merecedor de enriquecer numa única encarnação!
− Olhando desta forma, Pai Josué, eu me sinto até mesmo um felizardo!
− Até mesmo não zifio: suncê é um felizardo, assim como os seus irmãos de sangue e aqueles por paternidade divina também o são. Quanto menos suncês sentirem ingratidão, mais condições terão de adquirir os mais belos tesouros do espírito. Perdoe seus irmãos e todos aqueles que suncê julgou haverem sido ingratos com suncê.
− Assim farei vovô, muito obrigado por tudo!
− Agradece a Nêgo véio não zifio, agradece a Zambi-Nosso-Pai!
− Que assim seja!
− O assistido da entidade amiga desaparecera da mesma forma que chegara até ali e ela, assim, virou a cabeça para onde eu estava posicionado, em prece, e perguntou-me:
− Aprendeu filho?
Eu chorava muito de gratidão a Deus e aquela entidade tão, simples, tão humilde, mas tão rica em sabedoria pelo aprendizado daquela noite, mas respondi-lhe:
− Sim senhor!
  E ela, com semblante amável,mas também sério disse-me:
− Então faça! Faça acontecer, seja realmente rico, você é capaz e Zambi julga-lhe merecedor que enriqueça espiritualmente pela mesma moeda evolutiva que ofertou ao assistido que até pouco se encontrava sentado neste banquinho; é a mesma moeda que serviu de evolução espiritual para todos os preto-velhos que militam nesta Umbanda Sagrada e de Todos Nós, a mesma que está presente nas Sete lágrimas de Pai Preto: a ingratidão!







Mensagem de Pai Josué, recebida por Pedro Rangel.

domingo, 25 de dezembro de 2011

BENÇÃOS DE DEUS




O filho de um rico comerciante romano encontrava-se terrivelmente enfermo.
Tratava-se de moléstia desconhecida aos médicos da época e que parecia incurável. O mancebo encontrava-se em estado de prostração terrível, não sentia fome e perdia muito peso em ritmo acelerado; sendo que por vezes era acometido por estranho estado febril que o fazia entrar em delírio.
O pai aflito, então, determinou ao funcionário em que depositava maior confiança que trouxesse a sua moradia os melhores médicos do império.
Tempos depois o fiel escudeiro retornou com os quatro melhores médicos de Roma.
O primeiro deles possuía a alcunha de “ médico do Norte”, pois em toda região norte raríssimos foram os doentes que não encontraram a cura por meio do exercício de sua profissão. O segundo era denominado “médico do Sul” por que os casos de restauração de saúde dos enfermos em sua região beirava os 100%.
O terceiro era conhecido como “médico do Leste” e o quarto como “médico do Oeste” por motivos similares aos de seus outros dois colegas de profissão.
O primeiro médico não conseguiu curar o filho do comerciante. O mesmo deu-se com o segundo e terceiro médicos.
O comerciante já estava aflito com a situação e o pranto escorria incontido de seus olhos quando o quarto médico saiu do quarto de seu filho. Este também não conseguiu curá-lo, após semanas de tentativas, e ainda disse-lhe que a cura seria impossível.
Muitos dias se passaram após e, junto com eles, aproximava-se o momento possível de desencarne do jovem que,assim,pediu ao pai que realizasse o seu último desejo: passear pelas ruas de Roma.
O desejo foi atendido prontamente e já nas ruas o sol, em pouco tempo, começou a fazer mal ao filho do comerciante que passou a orar que os deuses cuidassem bem de sua alma.
E foi neste exato instante de desespero que uma figura de semblante sereno aproximou-se da liteira onde se encontrava o moribundo. Estava acompanhado por três homens: todos com sandálias gastas e roupas sujas com bastante pó, como se houvessem andado bastante tempo a pé de uma região para outra.
Pensando tratar-se de malfeitores um soldado fez intenção de desembainhar a espada, mas uma candura inexplicável e tamanha brotava do líder daqueles homens, o que não permitiu a conclusão do ato.
Pressentindo que estava em momento crucial de sua existência o jovem pediu que abaixassem sua liteira. O pai contrariou-se com a situação, mas o mancebo pediu para conversar com o tal homem em particular; então, vociferando palavras de ameaça àqueles homens, o genitor andou poucos metros a frente de onde se encontravam e levou o soldado consigo.
O líder dos homens maltrapilhos também solicitou que seus companheiros de jornada o deixassem a sós com o jovem e, no instante que isto ocorreu disse a ele:
− Venho aqui por parte do Alto do Altíssimo!
− É estranho! Você está imundo, pelas vestimentas parece apenas mais um no meio da plebe, entretanto não sei se estou mais uma vez em febre delirante, mas o vejo rodeado por seres luminosos com halos dourados, não sei quem você é ,mas sei que não é mais um na multidão, você poderia ajudar-me, pois sinto a morte bem próxima?
−Você quer a cura?
−Sim!
−Só você pode curar a si próprio!
− Mas como vou curar a mim mesmo se os melhores médicos não conseguiram?
−Não humilhando mais sua esposa, sendo um pai mais presente ao seu filho, não usurpando mais as economias do seu pai sob hipótese alguma, nem mesmo para ostentar aos amigos levianos um poder que não possui.
−Agora estou certo que não és mais um na multidão, pois como poderia saber sobre particularidades da minha vida?
−Eu, por mim, nada sei! É o Pai que habita em mim Quem tem a ciência de todas as coisas!
−Qual o nome do seu deus de devoção?
−Deus, simplesmente Deus! Deus é um só!
−Eu tenho devoção a Júpiter!
−Júpiter é uma divindade de Deus, é o fogo equilibrador de toda a criação, mas não é o próprio Deus!
−Homem estranho e de fala estranha eu lhe digo: em todo este tempo que me encontro adoentado tenho, de fato, repensado bastante em toda minha vida e sei que não tenho sido bom pai, esposo e nem filho, mas do jeito que me encontro como poderia curar a mim mesmo?
−Deus irá curá-lo, você somente se esforçará para manter a cura.
−Mas você disse que não poderia curar-me!
−E não posso, mas Deus em mim pode e assim o fará! A tua hora ainda não chegou, mas para mim já é chegada a hora!
−Você está para morrer? Não entendo do que fala!
−Não falo de morte, pois morte não existe, falo de fé!
− Não o entendo!
−Depois que eu me for você será chamado a dar testemunho de sua fé. Poucos o entenderão, mas Deus estará contigo.
−Homem estranho saiba que cuidarei de ser um homem melhor para mim mesmo e para os meus, e se você realmente conseguir me curar passarei a seguir o teu Deus com todo o meu ser.
−Você não seguirá o meu Deus, pois Deus é um só e, além disto, só dará testemunho de sua fé quando for chegada a minha hora e entenda que o poder do Altíssimo é tão grandioso que você passará a desejar ser um homem melhor não somente para sua família, mas para todo ser vivente, pois verá a todos como irmãos e filhos de um mesmo Pai:Deus.
−Sinto tudo o que me diz como real, mas não sei como será possível!
− Não te preocupes, pois assim como já é chegada a minha hora, a tua também virá: pés de árvores que geram frutas diferentes fazem com que amadureçam em tempos diferentes, mas uma pêra é irmã de uma maçã assim como um único homem o é de toda a humanidade. De repente ele se calou. Baixou a cabeça, fechou os olhos e levantou os braços aos céus como se fizesse uma oração. Um vento muito forte passou brevemente pelo local e ele,então, clamou: Pai, seja feita a vossa vontade!
Instantes após o homem já estava curado e, desta forma, aquela terna figura tomou a direção dos seus companheiros para continuarem a prosseguir jornada, entretanto o ex-enfermo aproximou-se daquele homem e perguntou-lhe:
−Bom homem, antes de prosseguir em sua viagem eu gostaria que você dissesse qual moléstia era esta que obstruía meu coração, minha mente e que nem os melhores médicos conseguiram diagnosticar, é possível?
Aquela figura, que tanto amor e paz transmitia, virou-se calmamente e respondeu à pergunta com apenas uma palavra:
− Egoísmo!
Em seguida irmanou-se com os companheiros de jornada e continuaram a seguir em direção ao norte onde um indivíduo de nome Nicodemos também esperava pelas bênçãos de Deus!






Mensagem do espírito M.M. canalizada por Pedro Rangel

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

VIDA




Enquanto aguardava a chegada da namorada em sua casa Bruno, cansado pelo dia de trabalho intenso que tivera, cochilou no sofá.
Enquanto isso Júlia embarcava em condução que tinha como destino a casa do seu namorado Bruno.
Ela estava muito ansiosa para chegar ao encontro que combinara com ele, entretanto sua ansiedade não era maior do que a notícia que daria a ele: ela estava grávida.
Só o que Júlia não sabia é que seu namorado intuitivamente já tinha uma noção de qual conversa ela queria ter com ele e, apesar de freqüentar um terreiro de umbanda há nove meses, Bruno estava decidido que se sua intuição estivesse correta ele a pediria que interrompesse o desenvolvimento da gestação.
Bruno a amava verdadeiramente, mas era filho de uma família da alta sociedade paulistana; tinha vinte e três anos de idade e um enorme potencial para fazer o bem dentro de si, mas era muito inseguro e preocupado com o que sua família faria se descobrisse a gravidez de sua amada.
Ele era descendente de uma família de médicos, mas trabalhava como advogado havia dois anos. Era um moço esforçado mesmo, que nunca quis utilizar o nome e o prestigio da família para obter qualquer tipo de vantagem em seu ramo de profissão.
Havia quatro meses que o caboclo a quem Bruno cambona dissera-lhe que se preparasse para tomar uma nova direção em sua vida, por que em breve um vento bom logo iria soprar no caminho dele para indicar novos rumos.
Inclusive na época do ocorrido Bruno não entendera muito bem o recado e levou sua vida calmamente até ali naquele dia em que sua amada Eliana solicitara o encontro na casa dos pais dele.
Pelo vidro da janela do seu quarto Bruno via que caia uma chuva torrencial, mas mesmo com todos os raios e trovões ele sentia que a tempestade climática não era maior do que aquela que desabava em seu íntimo.
Aflito pela intensidade de suas emoções ele resolveu sair de dentro da fazenda dos seus pais e respirar um pouco de ar puro. O relógio marcava quinze horas de um dia de novembro do ano de 1910, mas as nuvens estavam tão carregadas e enegrecidas que já aparentava ser quase noite naquele horário; justamente por este fato foi que ele acendeu a lamparina antes de sentar-se na rede.
Algo como um que desconhecido hipnotizava-o fazendo com que olhasse incessantemente para os raios que rasgavam o céu. A cada relâmpago que clareava o firmamento ele sentia como se um peso enorme saísse de seu peito.
Fascinado pelos raios ele levantou-se da rede e foi tomar um banho de chuva. Os pingos da chuva desciam grossos e pesados, mas em seu corpo não causavam nenhum tipo de dor ou incômodo: só um grande alivio em sua ansiedade.
Encantado que estava pela chuva ele foi atraído até um pequeno bambuzal existente no local e lá, inexplicavelmente, ajoelhou-se ao solo; de repente, como se viesse de dentro do bambuzal, apareceu uma linda mulher com cabelos ruivos como fogo e vestes estranhas que disse a ele:
  Nós pedimos que você se preparasse antecipadamente a este evento.    
─ É verdade!   
  Você se preparou? 
  Racionalmente sim,mas não de forma emocional. 
  Em você vejo dúvidas, o que deseja tanto perguntar-me?!? 
  Será que eu enlouqueci?  
  Por que você diz isto?  
  Ora, mas isto é óbvio! Parece que estou louco, em alguma espécie de pesadelo.  
  Mas por que você diz isto? 
  Estamos no ano de 1997 e, no entanto, aqui nesta localidade é 1910, isto não é loucura? Outra coisa estranha é que eu moro no Rio de Janeiro, mas aqui estou em São Paulo, como pode ser isto?
  Atualmente encontramo-nos no ano de 1997 e você efetivamente reside no estado do Rio de Janeiro.  
─ Aqui onde estamos os meus pais moram neste fazendão e, na realidade, eu moro mesmo no meu barraquinho no Vidigal, como é que pode?     
Você não deve preocupar-se com estes fatos que você vê como discrepância, mas sim com aquilo que é principal em sua vida.  
  Como assim? 
  O que você vê em comum tanto na sua vida no Rio quanto aqui em São Paulo? 
Deus do céu, parece papo de doido, não parece?  
Responda-me, por favor!  
Tudo bem, desculpe! Bom, a única coisa igualzinha no Rio e aqui em Sampa é o fato de que eu vou ser pai.  
Exatamente!  
Só que na “real”, no Rio de Janeiro, a minha namorada não se chama Eliana: o nome dela é Júlia!  
O nome também é algo secundário, procure focar no que deve ficar guardado em ti nesta experiência.  
Mas eu estou focado!  
Será que está mesmo?  
Claro!  
Mas você não está esperando a Júlia chegar à tua casa para um encontro que ela mesma solicitou?  
Estou.  
Você, intuitivamente, sabe que ela lhe dirá neste encontro que está grávida, certo?  
Correto!  
E você hoje, como há oitenta e sete anos atrás, não está pensando em pedir que ela aborte?    
Deus, como a senhora pode saber disto!??!  
Você é umbandista Bruno, você sabe!  
Espere ai, então quer dizer que a senhora é uma entidade que milita na umbanda! É isto?  
Exatamente!  
Agora entendo porque os meus joelhos se dobraram diante da senhora antes mesmo que eu soubesse deste fato, não é isto?  
Exatamente!  
Bem, se nós na realidade estamos em 1997 e aqui estamos em 1910, então isto quer dizer que este tal bruno ricaço de 1910 sou eu mesmo, o pobretão de 1997, não é isto?  
Exatamente!  
E este tal Bruno era mesmo umbandista?  
Não, o umbandista há nove meses é você Bruno! O fato de você vê-lo como umbandista se deve pela necessidade da prática da caridade para a evolução do seu espírito.  
Como assim?  
Você enquanto o Bruno do passado deveria ter advogado também gratuitamente em favor do próximo; atualmente você não é o advogado abastado de outrora, mas deve buscar a evolução do teu espírito pela prática da caridade através da religião de umbanda.  
E esta Eliana de 1910 é a minha Júlia de 1997, não é isto?  
Exato, assim como o seu filho abortado há oitenta e sete anos é o mesmo que agora pede oportunidade para reencarnar.  
Meu Deus, quanto tempo perdido!!!  
Hoje você, umbandista, vê como tempo perdido, já em outra época você não pensava desta maneira.  
É verdade, graças a Deus que hoje eu sou umbandista!!!  
Então, por caridade, haja como umbandista e faça como o Caboclo Ventania lhe determinou há quatro meses lá no terreiro que você freqüenta: prepare-se para sua vida mudar de direção!!!  
Deus, é incrível como a senhora sabe até do que o Caboclo Ventania disse para mim!  
Nossos campos de atuação são diferentes, mas nós servimos a mesma senhora.  
A divina mãe Yansã.  
Exatamente.  
Puxa, seria errado pensar que, pelo fato de a senhora estar aqui conversando comigo sobre aborto, o nascimento do meu filho é importante?  
Sim, mas não somente por que será teu filho, mas principalmente pelo fato de que todo ser concebido merece ter a divina oportunidade de ser gestado e parido.
Entendo.  
Eu sou uma Cabocla Sete Ventos que atua no direcionamento de um dos aspectos do sentido da geração, então o trabalho que realizo em benefício do seu vindouro filho é o mesmo que faço pelo direcionamento no desenvolvimento de espíritos encarnados que se encontram na condição biológica fetal.  
Deus, o trabalho da senhora é lindo!  
Linda é a vida Bruno! Lindo é fazer o que for possível pela continuação da manifestação da vida!  
É verdade.  
Então faça Bruno! Quando você acordar pouco se lembrará deste “sonho”, mas terá material suficiente para não só permitir a manifestação da vida do seu filho, mas para direcioná-lo pelos caminhos do bem.  
Assim eu farei senhora Cabocla dos Sete Ventos, assim eu farei!!!
Bruno acordou do seu “sonho” com o som de pancadas na porta: era Júlia que vinha lhe trazer a boa nova.
Júlia entrou com passos inseguros e sentou-se no sofá da sala, próxima a Bruno. Ela já amava aquele ser em seu ventre que possuía apenas dois meses de vida com muita intensidade, mas também amava fortemente e de forma recíproca a Bruno e se este lhe pedisse que abortasse ela, mesmo sofrendo muito, não hesitaria em atender ao pedido do seu amado, entretanto ela não queria isto, ela desejava demais aquela criança.
Assim, pôs as mãos de Bruno entre as suas e já iria dar a noticia quando notou grossas e pesadas lágrimas deslizando pelo rosto dele de forma insistente. Sem entender o porquê daquela atitude Júlia perguntou-lhe:  
O que foi amor?  
Você veio me contar que está grávida não é?   
Sim, mas quem lhe disse?  
Eu já estava com uma intuição que foi confirmada pela senhora Cabocla dos Sete Ventos.  
E você está chorando por que não quer este filho, é isto?  
Não, eu estou chorando de alegria por que já estamos esperando esta criança há muito tempo e é tudo que consigo lembrar de um sonho muito maluco que acabei de ter.    
Sério?  
Sério. Na minha mente só tem uma mensagem bem imperativa, mas de forma direcionadora, que diz bem assim: “ Você será pai! Cuide bem do seu filho! Cuide dele!”
Atualmente Luciano, filho do casal, tem quatorze anos de idade, mora no Rio de Janeiro, é umbandista como seus pais e tem tudo para tornar-se um homem de bem.
Mais sobre este ocorrido eu não posso dizer tanto para não ferir a intimidade da família, quanto por que a Lei Divina não me permite.
E é só isto que esta Cabocla pode contar e contou não em nome da curiosidade ou da fofoca, mas em nome da vida.
Você que conseguiu aprender algum tipo de ensinamento com esta história não agradeça a mim e nem ao médium que inspirei para passar esta mensagem: agradeça somente a Deus!!!
Agradeça-O lutando com as armas da paz, do amor e da sabedoria pelo direito de preservação e manutenção de toda a forma de vida!!!
Que Tupã abençoe a todo vocês!!!!  


Sra. Cabocla dos Sete Ventos.







Obs: o nome das pessoas envolvidas nesta história foram trocados para que fossem preservadas suas identidades.


Mensagem recebida por Pedro Rangel

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

MAGIA FORTE







César freqüentava aquela casa de umbanda havia dois anos: um ano enquanto assistência e outro como cambone de Pai Josias. Era um jovem que amava tanto a religião que professava que, nos últimos três meses, resolveu participar das reuniões de desobsessões daquela casa de caridade.
Naquela gira, entretanto, César demonstrava um semblante preocupado e pesaroso.
Percebendo as emoções de seu pupilo Pai Josias chamou-o a sentar-se diante de si.
─ Como é que vai suncê meu fio?
─ Eu até que estou bem vovô, graças a Deus!
─ Então por que este “até” zifio? Tem algo preocupando suncê?
César ficou desconcertado, como se estivesse procurando as palavras certas a serem ditas, mas a entidade reforçou o pedido dizendo:
─ Pode falar sem acanhamento nenhum zifio, pois qualquer dúvida no coração não é sinal de vergonha, mas desejo de saber melhor as coisas e o conhecimento é algo muito lindo meu fio, pode fazer perguntador pra nêgo!
César sorriu com aquele jeito tão curioso e perspicaz que só os preto-velhos têm de dizer as coisas e falou:
─ O senhor acha que estou bem vovô?
─ Depende meu fio, o que é estar bem para você?
César sorriu enquanto seu olhar marejava e foi quando a entidade disse-lhe:
─ O que é que tá trazendo tanta preocupação a suncê meu fio? Pode contar porque nêgo só vai escutar sem julgar!
─ O senhor me desculpe vovô, mas acho que estou necessitando de uma magia forte de proteção.
─ Mas por que zifio, o que é que tá acontecendo com suncê?
─ Como o senhor sabe faz três meses que comecei a participar dos trabalhos de desobsessão desta casa.
─ Isto, nêgo se alembra meu fio.
─ Então, acho que o senhor vê que eu procuro fazer este trabalho com todo o meu coração.
─ Nêgo não tem dúvidas disso meu fio!
─ Pois bem, mas desde quando eu entrei nestes trabalhos a cada mês que passou após um membro de minha família adoeceu seriamente: há três meses foi minha esposa, mês retrasado foi minha filha e este mês foi minha mãe que está passando um tempo conosco.
─ Nêgo tá entendendo zifio.
─ Como eu tenho vindo ao terreiro penso que deva ser mais difícil para as forças do baixo-astral atingir a mim tentando impedir-me de vir às reuniões de desobsessão, assim, acho que as trevas estão tentando atingir-me por meio de minha família.
─ E suncê acha que o terreiro não está fornecendo a devida proteção que suncê e família carecem pra viver sem estes ataques e fazerem o bem com menos preocupação, e justamente por isto estava todo envergonhado de vir conversar com este nêgo, não é?
César cambonava aquela entidade já há certo tempo, mas a forma como ela demonstrava conhecimento e compreensão acerca do seu atual estado mental sem que ele precisasse verbalizar muita coisa deixou-o boquiaberto.
─ Suncê não precisa se sentir envergonhado, pois como nêgo disse antes a busca do conhecimento no bem traz é luz para o espírito.
─ O senhor está certo vovô!
─ Zifio, eu entendo sua preocupação, mas antes de passar uma magia forte suncê permite nêgo contar uma história?
─ Claro vovô, suas histórias são sempre ótimas, fique a vontade!
─ Zifio, certa vez acabou a comida no esgoto e uma ratazana se viu obrigada a sair de sua morada para habitar noutro canto. Saindo de sua morada o animal observou que poderia entrar em duas casas: uma era asseada, limpa e organizada; a outra era uma imundice só, pois a não era varrida há meses, os móveis estavam cobertos de pó e havia inúmeros entulhos espalhado pelo chão, suncê tá entendendo zifio? 
─ Estou sim senhor!
─ Então nêgo pergunta: se suncê fosse esta ratazana em qual destas moradas escolheria habitar?
─ Com certeza que seria a casa suja!
─ Por que zifio?
─ Por que se parece mais com o antigo habitat da ratazana.
─ Muito bem zifio, afinal na casa limpa não há nada que desperte afinidade na ratazana, não é isso?
─ Isso vovô, é isso mesmo, é tudo questão de afinidade!
─ Muito bem meu fio! Nêgo gostou desta sua ultima percepção.
─ Zifio, nêgo pode fazer mais uma pergunta?
─ Claro vovô, não precisa nem pedir!
─ Fio, tem muito tempo que suncê não defuma sua casa?
─ Tem sim vovô, por volta de dez meses.
─ Mas suncê não é umbandista?
─ Graças a Deus!
─ E o que tem impedido suncê de fazer defumador no seu casuá?
César encabulou-se e baixou a cabeça. A entidade continuou:
─ São as tarefas, as atividades, as dificuldades e os problemas do dia-a-dia não é meu fio?
─ É isso mesmo vovô, minha vida é muito atribulada e ai eu acabo me acomodando com a situação.
─ Pois é meu fio, realmente nêgo sabe que a vida de suncês no corpo de carne é realmente bastante difícil, mas, ainda assim, devo pedir que você retorne a defumar sua casa. Suncê verá como as coisas ficarão diferentes.
─ Pode deixar vovô, farei tudo como o senhor pede, mas e aquela magia forte, o senhor pode me ensinar?
─ A magia forte que nêgo falou antes zifio?
─ Isto vovô!
─ Então zifio, este preto-velho acabou de passar pra suncê.
─ A defumação?
─ É zifio! Por que a cara de espanto?
─ Ora vovô a defumação não funciona para afastar permanentemente espíritos perturbados, não é verdade?
─ Fio tá sabido hein!
─ Até onde sei, na realidade, a defumação serve mais para limpeza energética dos lugares, não é verdade?
─ Fio recordando o que conversamos ainda agorinha: onde que é mais provável de uma ratazana morar? Numa casa limpa ou numa casa suja?
─ Na casa suja vovô, mas mesmo que a casa estivesse limpa o rato poderia entrar.
─ Mas não é mais fácil expulsar o rato de uma casa se ela estiver limpa?
─ Puxa vovô ou o senhor não está entendendo ou não está querendo entender!
─ Desculpa a ignorância deste nêgo meu fio, mas explica mais um pouquinho para que suncê perceba que talvez seja suncê que num tá entendendo este véio.
─ Não vovô eu entendi tudo que o senhor falou: o senhor determinou que eu voltasse a defumar minha residência a fim de que “ratos” não a invadam e assim eu o farei, mas só que enquanto eu não defumava a casa ratos aproximaram-se de minha esposa, minha filha e minha mãe causando doenças e eu gostaria de saber o que fazer para espantar estes ratos.
─ Fio a cada vez que suncê vem em terreiro tais ratos são afastados de suncê e todo seu familiador sempre, é claro, de acordo com o merecimento de cada um! Acontece que ao longo dos dias que sucedem as giras no terreiro suncês tudo se emporcalham tanto a si mesmos quanto o casuá em que vivem que daí acabam atraindo novos ratos para perto de suncês.
A entidade amiga deu algumas baforadas em seu cachimbo e continuou:
─ Suncê com problemas no local de trabalho e sua companheira com os vizinhos, absorvendo estas energias e espalhando-as em cada canto de cada cômodo do seu lar: e tome reclamação contra a vida, contra o chefe, contra os colegas de trabalho, contra as contas a pagar!
Pai Josias continuou:
─ Aí surgem as desavenças com a esposa e suncês acabam, quase sempre, por discutir na frente da criança pela roupa amarrotada, pelo café amargo, pelo baixo salário, por que o vizinho não respondeu ao seu “Bom dia”!
─ Compreenda zifio que por conta da falta de defumação e de outras medidas energeticamente profiláticas e umbandistas como o hábito de cruzar semanalmente a casa, pode-se dizer que onde suncês moram não está devidamente asseado, mas só que suncês acabam por piorar ainda mais a situação com todo este lixo mental, emocional, psicológico e energético.
─ Defume seu casuá, mude seu padrão vibratório e consciencial que suncê, nas forças de Deus-Nosso-Pai, verá mudanças prodigiosas em sua vida. Pode deixar que dos ratos nós, segundo o merecimento de cada um, cuidamos. Preocupem-se apenas em manter as vossas duas casas higienizadas: seu casuá, onde mora suncê e os seus familiares e seu vaso corporal, onde reside vosso espírito.
─ Sei que você crê na onipotência de Deus, só não descreia jamais que grande parte do poder Dele está nas coisas simples: Gandhi venceu a intolerância por meio de simples jejuns, Moisés venceu faraó com um simples cajado e Jesus venceu o mundo com a Lei de Amor. Viver na carne não é simples, amar também não, mas creia na simplicidade das coisas de Deus, da Umbanda e dos fundamentos a ela pertinentes que suncê verá os instrumentos de que se servem as trevas para semearem discórdias, desgraças e maldades serem desativados diante de si.
─ Creia meu fio e chame as bênçãos de Deus pra junto de suncê, acredite na simplicidade das coisas de Deus e o mal, assim, da sua vida se desarmará.
─ Uma flor pode desarmar o mais bélico dos exércitos, o perdão pode desarmar o ódio mais feroz, pensamentos vibrados em paz e amor podem desarmar a mais potente magia negra, da mesma forma que uma “mera” defumação desarma a casa, a família e a vida de suncês de toda a sujeira astral com que vocês a municiam por conta das reclamações e impropérios resultantes das vicissitudes de vossas existências corpóreas; vicissitudes estas que, na realidade, são instrumentos que podem guiá-los a angelitude se corretamente manejados, mas que suncês ainda, infelizmente, não conseguem percebê-los enquanto tal.
E a entidade, que tinha diante de si um consulente aos prantos, aguardou que César serenasse as emoções. Instantes após pediu um abraço apertado e, posteriormente, disse-lhe olhando fixamente nos olhos:
─ Nêgo acredita em Deus meu filho, mas não descrê de suncê! Creia mais na simplicidade das coisas de Deus e vá na força e na luz de Zambi-Nosso-Pai! 

Mensagem canalizada por Pedro Rangel